Netanyahu pede ida de apoiadores às urnas: 'Nada de praia, vamos votar'
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez um apelo para que apoiadores do Likud, seu partido, nas cédulas da eleição para o Parlamento neste ano, compareçam às urnas.
Primeiro-ministro alertou, sem dar detalhes sobre como conseguiu as informações, que a taxa de votações de árabes no sul do país está maior do que a de judeus. "Vocês precisam sair para votar. Precisam correr para as urnas", afirmou.
Nada de praia, nada de churrasco, todo mundo sai para votar no Likud. O que está em jogo é o futuro do nosso Estado judeu. Benjamin Netanyahu, em vídeo publicado nas redes sociais
Alto índice de votantes árabes em comparação ao baixo comparecimento de apoiadores de Netanyahu preocupa a equipe do primeiro-ministro. Netanyahu denunciou a prisão de três pessoas do Ra'am , partido árabe, por suspeita de tentar comprar votos. Segundo ele, funcionários do alto escalão da legenda foram presos com envelopes com dinheiro. A prisão foi confirmada por autoridades eleitorais, que afirmaram que detiveram os suspeitos em suas casas, longe de pontos de votação.
O apelo é ecoado pelos seus apoiadores, como a ministra Miri Regev, dos Transportes . Em publicação nas redes sociais, ela disse que "agentes não identificados estão tentando roubar a eleição'. "Ou é a direita, ou é a Palestina", afirmou.
O líder do Ra'am, Mansour Abbas, repudiou Netanyahu pela fala contra os árabes, acusando-o de "incitação ao ódio". "Benjamin Netanyahu está mentindo e incitando contra o Ra'am, usando isso como tática de intimidação para mobilizar eleitores de direita e levá-los às urnas", disse.
O candidato do Lista Conjunta, outro partido de maioria árabe, Yousef Jabareen, também acusou o primeiro-ministro de incitar o ódio. "O povo árabe sabe como puni-lo hoje e mandar você e seu governo manchado de sangue para casa", disse, se direcionando ao premiê.
As urnas em Israel ficam abertas até as 22h de hoje (17h no horário de Brasília). Até as 16h (11h no horário de Brasília), 55,7% dos eleitores compareceram às urnas, o maior índice de votação da história para o horário.
Os cerca de 7,3 milhões de eleitores israelenses votam em listas apresentadas pelos partidos políticos, e não diretamente em candidatos a primeiro-ministro, quando vão às urnas. O presidente do país, então, divide as cadeiras do parlamento de acordo com a proporção de votos que cada partido ganhou.
O Knesset tem 120 cadeiras e é eleito por sistema proporcional, ou seja, para formar um governo, a coalizão precisa reunir ao menos 61 assentos. Um acordo para formar maioria costuma exigir ligações entre partidos, algo atípico em um cenário político fragmentado.
Mesmo se conseguir a maioria dos votos, o Likud, partido de Netanyahu, só vai poder governar se formar coalizões com outros partidos - o que pode não acontecer. Quando ganhou as eleições mais recentes, em 2022, a coalizão liderada por Netanyahu conquistou 64 cadeiras.
Enquanto no último pleito 29 chapas concorreram, neste ano, 38 se inscreveram. Duas delas desistiram antes das eleições.
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