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O Retorno dos Reis: Por Dentro da Turnê de Cinquenta e Tantos Anos do Rush

Rolling Stone Brasil ·
O Retorno dos Reis: Por Dentro da Turnê de Cinquenta e Tantos Anos do Rush

Geddy Lee, Alex Lifeson e a nova baterista Anika Nilles contam tudo sobre a maior e mais improvável turnê do rock: “Estou nessa idade agora. Será que ainda consigo fazer isso?”

Em sua longa jornada para voltar a ser o Rush , Geddy Lee e Alex Lifeson superaram a morte, doenças, a idade, a insegurança e, no caso de um deles, um hábito de fumar maconha que remontava a 1966. Eles só não contavam com a neblina.

No início de junho de 2026, a banda ressuscitada estava prestes a fazer seu primeiro show em 11 anos, dando início à turnê Fifty Something . Nos bastidores do Kia Forum, em Los Angeles, naquela noite de domingo, Lee estava tenso; Lifeson , nem tanto. “Surpreendentemente, eu não estava tão nervoso”, diz o guitarrista. Quando chegou a hora do show, as telas de vídeo ao redor do palco começaram a subir, revelando duas silhuetas familiares, acompanhadas de suas guitarras de dois braços, envoltas por espessas nuvens de fumaça. Lifeson colocou o pé no pedal de volume, pronto para liberar as notas crescentes que dão início a “ Xanadu ”, de 1977.

À medida que mais fumaça se espalhava, ele conseguia sentir o peso de 5,4 quilos de sua guitarra sobre a coluna, mas não enxergava um único traste. Por um instante, pelo menos, o “não estava tão nervoso” se transformou em quase pânico. A poucos metros dali, Lee olhou para um pequeno espelho que deveria permitir que ele acompanhasse a baterista Anika Nilles . Naquela névoa, seu retrovisor havia desaparecido. “Estávamos nos afogando na neblina”, diz Lee , rindo do absurdo digno de Isto É Spinal Tap .

Quase cegos, mas sem se deixar abalar, começaram a música. Nos primeiros momentos de seu primeiro show com o Rush , Nilles passou freneticamente pela longa sequência de viradas de bateria exclamativas da introdução de “ Xanadu ”. Um minuto depois, ela martelava o acompanhamento pesado nos tons de uma longa passagem instrumental. “Não erre essa virada”, lembra ela de ter dito a si mesma, justamente quando sua mão esquerda perdeu a pegada: “Vi essa baqueta voando por cima dos tons”. Ela perdeu uma única batida, o suficiente para provocar um olhar preocupado de Lee , antes de continuar tocando com uma só mão. No mesmo milésimo de segundo, de alguma forma, ela agarrou a baqueta perdida no ar, virou-a e continuou. “Acontece”, diz ela, ainda sem se abalar. “Você deixa a baqueta cair. Como baterista, você está acostumado com isso.” (“Ela é profissional”, acrescenta Lee . “Ela esteve à altura da ocasião na noite de estreia.”)

Aos 43 anos, Nilles , natural de Aschaffenburg, na Alemanha, é três décadas mais jovem que seus novos companheiros de banda. Quando ela nasceu, o Rush estava prestes a gravar seu décimo álbum, Grace Under Pressure . Ela já sofreu com medo de palco no passado, mas, na noite de maior responsabilidade de sua carreira, estava tranquila o suficiente para abrir um sorriso logo depois de recuperar a baqueta. Ajudou o fato de ela ter meditado por 45 minutos inteiros antes do show, como parte de uma “rotina para se acalmar”. “Em cada parte de cada música”, diz ela, “precisava me orientar um pouco, especialmente no primeiro show, para não sair voando.” Ela tentou não pensar no panorama geral.

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