Certas árvores urbanas atrapalham o clima em vez de só ajudar, sugere estudo
Árvores ajudam a refrescar as cidades, armazenam carbono e oferecem abrigo para a fauna.
Mas algumas espécies usadas com frequência na arborização urbana também podem contribuir para a formação de um poluente prejudicial à saúde.
É o que aponta uma pesquisa publicada na última quarta-feira (19) na revista científico Science Advances.
O estudo, feito em Pequim, na China, concluiu que a vegetação urbana teve participação maior do que a esperada na formação de ozônio no ar.
O levantamento estima que, entre maio e julho de 2021, as árvores tenham respondido por cerca de 10% dos VOCs (compostos orgânicos voláteis na sigla em inglês) liberados na cidade.
Mesmo emitindo menos compostos do que os humanas, a vegetação participou de 52% das reações químicas que levaram à formação do ozônio.
“Os resultados nos surpreenderam tanto que, no início, não acreditamos neles”, afirma Bin Yuan, químico atmosférico da Universidade de Jinan e coautor do trabalho, em entrevista à revista Nature.
Liberação de VOCs pelas plantas Segundo o estudo, algumas plantas tipicamente encontradas na paisagem urbana liberam VOCs, substâncias que evaporam para o ar e podem reagir com outros poluentes já presentes na atmosfera.
Entre elas, o isopreno, um dos mais comuns, emitido por certas árvores durante o processo de fotossíntese.
O problema não está no isopreno isoladamente, mas no que acontece depois.
Quando esses VOCs se misturam com óxidos de nitrogênio (NOx), gases liberados principalmente por veículos e indústrias, ocorre uma reação química que, sob luz solar, leva à formação de ozônio próximo ao solo.
Os álamos também são árvores conhecidas por liberar grandes quantidades de isopreno Pexels Esse tipo de ozônio é diferente daquele que existe naturalmente na alta atmosfera, onde forma a chamada camada de ozônio, responsável por proteger a Terra da radiação ultravioleta.
No nível do chão, ele se torna um poluente que pode irritar os olhos e as vias respiratórias, bem como agravar problemas casos de asma e doenças pulmonares.
Dentre as espécies que mais chamam atenção nesse processo estão salgueiros e álamos, comuns em áreas urbanas em certas regiões mais frias e de clima temperado, e conhecidos por liberar grandes quantidades de isopreno.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.