Instituto que promoveu cloroquina para Covid-19 tem erros em 1/3 dos artigos produzidos
Um instituto francês de pesquisa médica que ganhou notoriedade durante a pandemia de Covid-19 por promover a hidroxicloroquina como tratamento para a doença tem problemas éticos identificados em cerca de um terço de seus artigos científicos.
Uma análise conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores encontrou questões em 853 dos 2.674 trabalhos publicados pelo Institut Hospitalo-Universitaire Méditerranée Infection (IHU) entre 1994 e 2024.
Entre os estudos com problemas, 78 descrevem pesquisas biomédicas que aparentemente não cumpriram exigências da legislação francesa.
A equipe também encontrou 343 artigos nos quais não havia registro de aprovação por um comitê de ética.
Em dezenas de outros casos, as aprovações aparentemente foram obtidas apenas depois que as pesquisas já tinham começado.
Os pesquisadores identificaram ainda casos em que uma mesma aprovação ética teria sido reutilizada para diferentes estudos.
Segundo a análise, publicada em 12 de agosto no periódico Research Integrity and Peer Review, as irregularidades encontradas vão além de questões burocráticas, já que problemas éticos podem comprometer a confiança do público na pesquisa e no próprio processo científico.
Segundo o jornal The Guardian, as descobertas já tiveram consequências para parte da produção científica do instituto.
Nos últimos anos, 64 artigos foram retratados, enquanto outros 270 receberam uma “manifestação de preocupação” — sinalização utilizada quando existem questões importantes e consideradas confiáveis sobre um trabalho publicado.
Diante dos resultados, a equipe responsável pela análise defende que os trabalhos do IHU sejam submetidos a uma revisão adicional.
O objetivo é corrigir o registro científico sempre que necessário.
A equipe também levantou questionamentos sobre os mecanismos de supervisão da Universidade Aix-Marseille, principal responsável pela supervisão das atividades do instituto.
Para a equipe, os resultados levantam dúvidas mais amplas sobre a governança e os mecanismos de fiscalização da universidade.
Segundo Lonni Besançon, professor assistente de visualização de dados na Universidade de Linköping, na Suécia, e integrante da equipe que realizou a análise, milhões de euros destinados à pesquisa podem ter sido desperdiçados devido às práticas consideradas inadequadas no IHU.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.