O que Lula e Trump conversaram, o que ficou de fora e qual estratégia do governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira, 21, como parte de uma estratégia do governo brasileiro que pode neutralizar adversários na administração americana.
Lula buscou assuntos de convergência, fez elogios às interações prévias entre eles, agiu com cordialidade e conseguiu a reabertura do canal direto em alto nível político.
Nenhum desentendimento teria sido explicitado.
O foco era mesmo a relação bilateral, embora também tenham discutido as guerras e o papel das Nações Unidas, pano de fundo para telefonemas recentes aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
Ao fim da chamada, Trump disse a Lula ter gostado do papo e afirmou que eles podem falar entre si sempre que acharem necessário, sem recorrer a intermediários ou percorrer caminhos burocráticos.
O petista lembrou da visita em maio a Washington, citada como momento “excelente”, disse que eles conseguiam fazer muitas coisas juntos e precisam retomar os contatos.
Trump teria demonstrado apreço por Lula novamente – algo que fez em encontros anteriores, ao perguntar até sobre o período da prisão na Operação Lava Jato.
Para o governo Lula, esse é um efeito desejável, porque a experiência mostra que a interação com outros escalões do governo americano tem sido marcada, segundo integrantes do governo, por turbulências, hostilidade ideológica e mais atravessada pela interferência da oposição.
Um integrante do governo brasileiro avalia que o contato entre presidentes desarma a oposição e pode tornar “mais difícil” que o próprio Trump tome lado e se manifeste contra Lula no decorrer da campanha eleitoral.
O mesmo não se pode dizer de outras figuras do governo dele.
O governo brasileiro vem deixando claro, de forma recorrente, que vê tentativas do Departamento de Estado de interferir na disputa em prol de Flávio Bolsonaro (PL), candidato de oposição que mais rivaliza com o petista.
A estratégia do Palácio do Planalto é, por meio do contato direto entre os presidentes, contornar funcionários do governo americano mais hostis.
Os petistas se queixam que, quando desce do patamar de presidentes, a interação e os combinados entre Lula e Trump caem num “redemoinho”.
O principal ator no primeiro escalão americano é o secretário de Estado, Marco Rubio, um interlocutor dos Bolsonaro e histórico adversário da esquerda latino-americana.
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