O Nobel que expulsou seus melhores funcionários e acabou criando o Vale do Silício sem querer
Um dos vencedores do Prêmio Nobel de Física de 1956 era tão insuportável que perdeu, em um único dia, oito dos principais pesquisadores de sua própria empresa.
O nome dele era William Shockley .
Ele recebeu a honraria junto com outros dois homens pela descoberta do efeito transistor , tecnologia que aposentou as válvulas gigantes e se tornou a base da eletrônica moderna.
Shockley foi um gênio da eletrônica que tratava colegas, filhos, esposa e minorias da mesma forma: com desprezo.
A história começa em 1947, nos Bell Labs, onde ele desenvolveu a teoria por trás do fenômeno do transistor, enquanto os colegas de trabalho John Bardeen e Walter Brattain, com quem dividiu o Nobel, criavam o primeiro transistor.
Depois, Shockley aprimorou a invenção em um modelo mais confiável e fácil de fabricar, o transistor de junção.
Com o prestígio do prêmio, ele fundou uma fábrica de transistores de silício perto de São Francisco, nos Estados Unidos.
Para tocar o novo laboratório, recrutou alguns dos melhores jovens cientistas e engenheiros do país.
Mas o empreendimento ficava preso ao estrito controle que ele exercia sobre cada processo, tanto que chegou a exigir que toda a equipe fizesse um teste de detector de mentiras.
Ninguém aceitou.
Em casa, a obsessão de Shockley por hierarquia e desempenho também aparecia.
Separou-se da primeira mulher, Jean, em 1953, depois de duas décadas de casamento e três filhos.
Mesmo assim, descrevia os próprios filhos em particular como uma “regressão” em relação a ele.
Ele dizia que a mãe de seus filhos não tinha um nível de conquista acadêmica à altura do seu.
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