Após desarquivar caso, polícia marca reconstituição da morte de indígena de recente contato em Manaus
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
A Polícia Civil do Amazonas agendou uma reconstituição dos fatos que antecederam a morte de Tadeo Kulina , indígena de recente contato que desapareceu de uma maternidade pública em Manaus em fevereiro de 2024 e que foi encontrado morto –com marcas de agressões em diferentes partes do corpo– mais de uma semana depois no IML (Instituto Médico Legal) da cidade.
O local a ser periciado é o lava-jato próximo da maternidade , para onde Tadeo se dirigiu após deixar o hospital.
Ele acompanhava a mulher, Ccorima Kulina, que teve uma bebê na instituição, após a detecção de que o quadro de saúde da mulher, na reta final do parto, era gravíssimo. O casal vivia numa aldeia na região do médio rio Juruá , a 1.200 km de distância em linha reta de Manaus. Ela voltou com a bebê à comunidade, no mesmo voo onde foi transportado o caixão com o corpo de Tadeo.
O indígena sofreu uma queda no lava-jato, de uma altura estimada de sete metros. A polícia, que antes investigava a suspeita de homicídio, apontou a ocorrência de morte acidental e arquivou o caso, o que foi referendado pelo MP.
A veiculação do podcast "Dois Mundos" em maio e junho de 2025, pela Folha , mudou o curso do caso.
O podcast apontou novos elementos e provas sobre a morte de Tadeo, reconstituiu os caminhos percorridos , ouviu testemunhas que estavam fora do radar e esteve na região do médio rio Juruá para documentar a realidade dos madihas kulinas nas cidades e para ouvir os indígenas parentes de Tadeo nas aldeias.
Além disso, o trabalho jornalístico apontou uma série de falhas na investigação conduzida pela polícia até optar pelo arquivamento inicial do caso. Entre as falhas identificadas está a conclusão da investigação sem a realização de uma perícia no lava-jato, apesar de ter existido um pedido da delegacia nesse sentido.
Com base no podcast, a Defensoria Pública do Amazonas e a Opiju (Organização dos Povos Indígenas da Calha do Rio Juruá) pediram, em setembro de 2025, o desarquivamento do inquérito .
Em outubro, o MP do Amazonas concordou com o pedido e desarquivou o caso . A instituição determinou que a Polícia Civil do Amazonas fizesse uma nova investigação, num prazo inicial de 90 dias.
Esse prazo já foi descumprido, mas novas diligências foram feitas, como reinquirição de testemunhas.
Para essa reconstituição, a polícia pede aos peritos "especial atenção aos vestígios e à dinâmica da queda, notadamente para esclarecer se os ferimentos registrados são compatíveis com a queda da altura da laje". Isso deve ser confrontado com os depoimentos das testemunhas, conforme a polícia.
Entre os novos depoimentos colhidos estão os de testemunhas que estavam no lava-jato e os de dois dos três policiais militares.
Eles afirmaram que Tadeo foi imobilizado, com fios amarrados nos pés e nas mãos, e que esse ato teria sido necessário para conter uma suposta agitação da vítima. Os PMs disseram que retiraram os fios para algemá-lo, antes de o colocarem na viatura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.