Espécie inédita de crocodilo com 45 milhões de anos é descoberta em esfinge egípcia
Uma nova espécie de crocodilo extinto foi identificada a partir de fósseis encontrados em rochas da mesma formação geológica usada na construção da Grande Esfinge de Gizé, no Egito.
Batizado Herugavialis cairensis, o animal viveu há cerca de 45 milhões de anos e pertence ao grupo dos gaviais, conhecidos por seus focinhos longos e estreitos.
A descoberta foi descrita em um estudo publicado nesta quarta-feira (7) na revista Royal Society Open Science.
O fóssil analisado, que inclui um crânio quase completo, havia sido encontrado ainda na década de 1920 na Formação Mokattam, no Egito, mas, na época, foi atribuído ao gênero Tomistoma devido à semelhança com o falso-gavial (Tomistoma schlegelii).
Quase um século depois, novas técnicas permitiram aos pesquisadores reexaminar o material.
Com o uso de tomografia computadorizada para observar o interior do crânio, uma equipe internacional identificou diferenças entre o fóssil egípcio e o falso-gavial, levando à classificação de uma nova espécie.
Vista dorsal (item A) e ventral (item C) do crânio do exemplar de Herugavialis cairensis Royal Society Open Science Vista lateral direita (item A) e esquerda (item C) do crânio de Herugavialis cairensis Royal Society Open Science Um crocodilo sem a ponta do focinho Assim como a Grande Esfinge é conhecida por não ter parte do nariz, o crânio do Herugavialis cairensis também apresenta uma ausência curiosa: a ponta de seu focinho não foi preservada.
A coincidência ajudou a inspirar o nome do novo crocodilo.
Segundo Philip Mannion, biólogo evolucionista da University College London e um dos pesquisadores que lideraram o estudo, a espécie foi batizada em referência a Heru, nome egípcio do deus Hórus, que possivelmente teria servido de inspiração para a Grande Esfinge.
Como destaca a Popular Science, os gaviais são um grupo de crocodilos caracterizado principalmente pelos focinhos compridos e finos.
Atualmente, seus representantes são encontrados em ambientes de água doce no subcontinente indiano e no Sudeste Asiático.
Apenas duas espécies sobrevivem: Gavialis gangeticus e Tomistoma schlegelii, conhecido como falso-gavial.
O registro fóssil, porém, revela um passado bem diferente.
Ao longo de mais de 100 milhões de anos, esses animais tiveram uma distribuição quase global e chegaram a ocupar ambientes marinhos rasos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.