Corinthians cobra respostas da SAFiel antes de avançar com projeto
O Corinthians condicionou o avanço da análise do projeto da SAFiel à apresentação de respostas sobre a viabilidade financeira da proposta, a utilização de informações internas do clube e os efeitos jurídicos do documento.
O UOL teve acesso aos questionamentos formulados pelos poderes corintianos e encaminhados aos responsáveis pelo movimento.
O material é assinado por Osmar Stabile, presidente da Diretoria; Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo; e Miguel Marques e Silva, presidente do Conselho de Orientação (Cori). O texto afirma que a avaliação da proposta ficará prejudicada enquanto os esclarecimentos não forem apresentados de forma satisfatória.
O documento foi apresentado na reunião realizada na última quarta-feira (26), no Parque São Jorge. O encontro durou cerca de quatro horas, teve momentos de tensão e terminou com o compromisso de que os questionamentos do Corinthians seriam respondidos antes de um possível avanço para a assinatura de um Memorando de Intenções, conforme o UOL revelou na quinta-feira (27).
A manifestação não representa aceitação nem recusa ao projeto, segundo o próprio Corinthians. Os dirigentes afirmam que os questionamentos fazem parte da análise necessária antes de qualquer decisão sobre a eventual transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol.
O Corinthians pediu explicações sobre a metodologia utilizada pela SAFiel para projetar a adesão de aproximadamente 5% dos torcedores considerados economicamente ativos. O projeto apresentado pelo movimento prevê a captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de alcançar R$ 3 bilhões caso a demanda seja superior à estimada.
O clube quer saber como foram compatibilizados dados de diferentes instituições, como Datafolha, Ipsos/Ipec, IBGE, Serasa, Anbima, B3 e Instituto Locomotiva. Os poderes corintianos também perguntam se houve tratamento técnico para retirar possíveis distorções provocadas pela utilização de universos amostrais distintos.
A SAFiel deverá apontar ainda operações nacionais ou internacionais de capitalização pulverizada no futebol que tenham alcançado uma taxa de conversão semelhante aos 5% projetados. O Corinthians solicita fontes verificáveis que permitam comparar a expectativa do projeto com experiências anteriores.
O documento também questiona se a estimativa levou em consideração a capacidade financeira dos torcedores. O clube cita fatores como endividamento familiar, inadimplência, restrição de crédito e liquidez disponível, além de pedir a apresentação dos cenários conservador, intermediário e pessimista utilizados na elaboração do projeto.
Por fim, o Corinthians cobra informações sobre a possibilidade de auditoria dos dados apresentados no chamado "Book SAFiel 2.0". A intenção é verificar as premissas macroeconômicas, a curva de adesão projetada e a exequibilidade do modelo de captação.
O Compliance da Diretoria do Corinthians apresentou quatro pontos relacionados à Invasão Fiel S/A, empresa responsável pela proposta.
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