Cinturão vago dos pesados abre caminho para Poatan e expõe crise no UFC
A decisão de Tom Aspinall de deixar vago o cinturão dos pesos-pesados abriu uma porta que pode levar diretamente a Alex Poatan. Mas, ao mesmo tempo, escancarou um problema que o UFC terá cada vez mais dificuldade para esconder: a falta de campeões disponíveis para sustentar seu calendário.
Aspinall passou um longo período sem lutar e, agora, abriu mão do título. Cyril Gane, campeão interino, aguarda a definição de seu próximo adversário. E Poatan aparece como uma das opções mais naturais.
O brasileiro já foi campeão em duas categorias, é um dos maiores nomes da história do UFC e, atualmente, talvez seja a maior estrela da organização. A derrota para Gane, em junho, na Casa Branca, foi cercada de controvérsia e, justamente por isso, uma revanche também teria uma narrativa pronta.
O cenário, portanto, favorece Poatan. O UFC ganha a possibilidade de colocar uma de suas maiores estrelas novamente em uma disputa de cinturão sem precisar construir do zero uma nova história.
Valentina Shevchenko recentemente deixou vago o cinturão dos moscas. Kayla Harrison ainda não lutou neste ano. Carlos Ulberg, campeão linear dos meio-pesados, está machucado. Em outras divisões, campeões também têm encontrado dificuldades para manter uma frequência de atuação que permita ao UFC organizar seu calendário com previsibilidade.
O UFC precisa, como regra prática, colocar pelo menos uma disputa de cinturão nos grandes eventos numerados. Quando isso não acontece, o peso desses cards diminui naturalmente. No mês que vem, em Salt Lake City, a luta principal será Natalia Silva x Wang Cong — um confronto interessante, mas que só assumiu esse posto porque não havia um cinturão disponível e Valentina se lesionou e deixou o evento.
O evento do Catar, por questões contratuais, pode precisar de uma disputa de título. Depois ainda vêm Nova York, em novembro, e Las Vegas, em dezembro. É uma sequência importante justamente no primeiro ano do novo contrato do UFC com a Paramount, período em que a organização deveria estar apresentando seu produto da forma mais forte possível.
O problema não é simplesmente ter campeões lesionados. Isso sempre fez parte do MMA. O ponto é a combinação de lesões, baixa atividade, cinturões vagos e divisões que ficam meses sem uma história clara para o público acompanhar.
Um campeão que luta pouco já é um problema. Um campeão que luta pouco e também não é trabalhado constantemente pelo UFC se transforma em um problema ainda maior. O público precisa ter motivos para se importar com uma divisão mesmo quando o campeão está afastado. Precisa saber quem são os próximos desafiantes, quais são as rivalidades e por que aquela categoria importa.
O UFC construiu seu crescimento justamente com a capacidade de transformar lutadores em estrelas e divisões em histórias que o público acompanha de evento para evento. Se os principais nomes passam longos períodos fora de ação e a organização não consegue preencher esse espaço narrativo, a consequência aparece na audiência.
Poatan pode acabar sendo a solução perfeita para os pesos-pesados.
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