O que uma infância com menos açúcar revelou décadas depois
Andres Ayrton/Pexels Parece argumento de avó: "Quando eu era criança não tinha açúcar, e veja como éramos saudáveis".
Mas um novo estudo encontrou resultados que confirmam essa intuição, graças a um episódio histórico que ninguém planejou como experimento: o racionamento de alimentos no Reino Unido durante e após a Segunda Guerra Mundial.
Com as rotas de abastecimento britânicas ameaçadas pela guerra, em 1940, o governo adotou um sistema de racionamento que atingiu diversos alimentos de consumo cotidiano, incluindo o açúcar.
A restrição se prolongou por anos após o fim do conflito e só foi encerrada em setembro de 1953.
A partir de então, o consumo médio de açúcar praticamente dobrou.
Essa mudança abrupta criou, inadvertidamente, uma situação excepcional para os pesquisadores.
Esses níveis contrastantes de açúcar na primeira infância de gerações tão próximas foi a base de um estudo conduzido pelos economistas da saúde Chen Zhu, da Universidade Agrícola da China, e Weilong Zhang, da Universidade de Cambridge.
Eles analisaram dados de 64.761 pessoas nascidas na Grã-Bretanha entre 1951 e 1956.
As informações vieram do UK Biobank, um amplo banco de dados que acompanha a saúde de seus participantes ao longo de décadas.
O trabalho foi publicado na revista PNAS.
A comparação concentrou-se nos primeiros mil dias de vida, desde a concepção até o segundo aniversário.
Trata-se de um período em que o metabolismo, os órgãos e o sistema imunológico ainda estão em desenvolvimento e quando começam a ser formadas as preferências alimentares.
Na prática, os nascidos antes do fim do racionamento passaram mais tempo com acesso limitado ao açúcar durante esses primeiros mil dias; os nascidos depois, menos tempo.
Agora no g1 Açúcar na infância e risco de câncer Décadas mais tarde, as diferenças se mostraram significativas.
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