A conta da soja chegou: recuperação judicial sobe 73% entre produtores PJ
As margens da soja caminham para o pior nível em duas décadas na safra 2026/27 e já começam a aparecer nas estatísticas de recuperação judicial do agronegócio, como mostram dados da Serasa Experian divulgados nesta quarta-feira, 12.
Pressionados por custos de produção que permaneceram elevados mesmo após a queda dos preços da commodity, produtores rurais organizados como pessoa jurídica registraram um salto de 73,5% nos pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Serasa.
O número contrasta com o dos demais perfis analisados. Os produtores rurais pessoa física (PF) registraram 182 solicitações no período, queda de 6,7%, enquanto as empresas ligadas à cadeia do agronegócio contabilizaram 96 pedidos, alta de 18,5%.
O movimento indica que a pressão financeira tem se concentrado cada vez mais nos produtores organizados como empresas, sobretudo os de soja, cujo cenário mudou radicalmente nos últimos cinco anos.
Depois de um período de preços recordes, as cotações voltaram a patamares mais baixos, enquanto os custos da lavoura permaneceram elevados, principalmente em razão da alta dos fertilizantes .
Como o Brasil importa cerca de 85% desses insumos , a valorização do dólar ampliou ainda mais a pressão sobre o caixa dos produtores.
"Os custos de produção nunca voltaram para os níveis anteriores, enquanto o preço das commodities voltou. Logo, o produtor continuou pagando mais caro para formar a lavoura", afirma Joana Colussi, pesquisadora da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.
Um estudo da pesquisadora mostra que, em fazendas-modelo de Mato Grosso, os custos totais da produção de soja cresceram 96% entre 2021 e 2025, passando de US$ 172 para US$ 337 por tonelada.
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