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Economia

Gastos do governo devoram receita extra vinda com a alta do petróleo

InfoMoney ·
Gastos do governo devoram receita extra vinda com a alta do petróleo

O país registrou uma alta na arrecadação neste ano, impulsionada por fatores temporários como a elevação dos preços do petróleo gerada pelo conflito no Oriente Médio, mas esse alívio no caixa foi consumido pelo apetite por gastos da máquina pública, que “comeu” a margem que poderia trazer alguma tranquilidade ao governo.

Entre janeiro e julho deste ano, a receita líquida avançou 6%, mas as despesas subiram 6,3% acima da inflação.

Essa diferença levou a um déficit primário de R$ 81,2 bilhões no acumulado dos sete meses, de acordo com o 115º Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), publicado nesta quinta-feira (20) pela Instituição Fiscal Independente (IFI).

“As despesas obrigatórias e discricionárias rígidas crescem, contínua e velozmente, sobre a margem de liberdade do governo para financiar e implementar programas e projetos governamentais”, afirmam os diretores.

Os dados mostram que as pressões sobre o orçamento seguem asfixiando a capacidade de planejamento do Estado.

Esse descompasso ocorre a despeito de ajuda pontual, como a queda nos custos do Bolsa Família e a aceleração do pagamento de emendas parlamentares no primeiro semestre devido à legislação eleitoral.

Deterioração das contas públicas O relatório aponta que, formalmente, o governo atingirá o centro da meta estipulada na Lei de Diretrizes Orçamentárias, que prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, o equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Contudo, esse cumprimento legal só se sustenta devido às deduções de despesas, que somam R$ 62,8 bilhões nos cálculos do Executivo e R$ 69,8 bilhões nas projeções da IFI.

Descontadas essas exclusões permitidas por lei, o resultado primário efetivo — que de fato dita a trajetória da dívida pública — deve encerrar 2026 com um déficit de 0,4% do PIB.

A piora é atestada pela evolução do déficit estrutural, métrica que exclui os efeitos não recorrentes e as flutuações cíclicas.

Até o segundo trimestre de 2026, o déficit estrutural avançou para 1,4% do PIB, o dobro do índice de 0,7% do mesmo período de 2025.

A IFI alerta que, para estabilizar da dívida bruta, seria necessário um ajuste de 2,1% do PIB.

Restos a pagar O relatório aponta que, embora o governo tenha revertido parcialmente o bloqueio de despesas no terceiro bimestre, fixando-o em R$ 17,9 bilhões, o estoque de restos a pagar de R$ 105,5 bilhões pressiona o orçamento.

O documento aponta que esse passivo impõe uma restrição “cerca de seis vezes superior ao bloqueio oficialmente reportado”, o que mostra o risco iminente de liquidez.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.

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