Estudou até a 3ª série, abriu restaurante no quintal e cozinha para Netflix
A empresária Flávia Alves, 45 anos, começou a cozinhar aos oito anos de idade. Ajudava a mãe solteira a cuidar dos outros quatro irmãos e, naquela época, anotava as receitas que via nos programas de culinária e pensava: "Um dia vou conseguir comprar os ingredientes para fazer essas receitas."
Mesmo tendo estudado apenas até a terceira série do ensino fundamental, ela já foi chef de estabelecimentos conhecidos, ao lado de profissionais formados, teve um restaurante em Curitiba (PR), trabalhou na Bahia e, em 2016, ano em que nasceu seu filho, montou o restaurante Quintal da Mãe, em Paraty (RJ), no quintal da própria quitinete que alugava.
Especializado em culinária afro-brasileira, o negócio virou referência na gastronomia e na cultura local. Mas não só isso: além de atender turistas —Flávia já saiu até em jornais internacionais, como o inglês The Telegraph —, passou a atuar também no mercado de catering, atendendo grandes empresas, como Netflix, Nubank e Zara.
No meio dessas andanças pela gastronomia e pela cultura, Flávia recebeu um convite para ir para Paraty comandar a cozinha de uma pousada. Trabalhou cerca de dois anos no local e, depois, passou a produzir sobremesas e salgados para cafés da cidade.
Foi nesse período que engravidou do filho Tom Arthur Alves Fortunato, hoje com 10 anos. Após uma gestação de alto risco e de ter perdido uma gravidez anteriormente, a chef decidiu que queria participar de perto da primeira infância do filho e precisava criar algo que permitisse isso. A solução encontrada foi montar um negócio dentro de casa.
O primeiro endereço do Quintal da Mãe foi justamente o quintal da quitinete alugada onde Flávia morava, em Paraty. Uma vez por mês, ela promovia almoços para moradores e turistas. Além disso, passou a administrar outra quitinete do proprietário do imóvel. Preparava café da manhã para os hóspedes, cuidava da limpeza e da lavanderia e usava a renda extra para complementar o orçamento da família.
O funcionamento do negócio era pensado em torno da rotina de Tom. "Os clientes me ajudavam a cuidar do meu filho, lavavam a louça. E tinham essa experiência de cozinhar ali junto comigo. Vinha gente do mundo todo. Foi um momento muito feliz."
Com o aumento da procura, as limitações da quitinete começaram a aparecer. Flávia então lançou uma campanha pela internet para arrecadar recursos para comprar louças, utensílios e adaptar um espaço maior.
Conseguiu R$ 5 mil, valor que serviu como capital inicial para mudar de endereço e dar os primeiros passos para aumentar o restaurante. No início, havia apenas algumas mesas de pallet e equipamentos emprestados por amigos do setor gastronômico.
Descoberta no Facebook por uma agência de afroturismo sediada em Londres, Flávia passou a receber grupos para vivências gastronômicas e culturais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.