O sistema de comportas gigantes escondido no fundo do mar que se levanta para impedir Veneza de desaparecer sob as marés
As 78 barreiras de aço ficam submersas nas entradas da Lagoa de Veneza e sobem com ar comprimido quando uma maré extrema ameaça a cidade
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Durante a maior parte do tempo, o MOSE permanece praticamente invisível no fundo das três entradas que ligam a Lagoa de Veneza ao Mar Adriático. Quando uma maré excepcional ameaça a cidade, 78 enormes comportas de aço recebem ar comprimido, expulsam a água de seu interior e se levantam até formar uma barreira temporária contra o avanço do mar.
O sistema é formado por quatro fileiras de comportas distribuídas pelas entradas de Lido, Malamocco e Chioggia. No total, são 78 estruturas metálicas articuladas, instaladas dentro de grandes alojamentos de concreto assentados no leito da lagoa. Em condições normais, elas ficam cheias de água e repousam horizontalmente dentro dessas estruturas.
Essa disposição permite manter as passagens abertas para as marés e para a navegação quando não existe ameaça. A maior entrada, Lido, possui duas fileiras de barreiras, enquanto Malamocco e Chioggia possuem uma cada. Somadas, elas conseguem fechar temporariamente todas as conexões principais entre a lagoa e o Adriático.
Quando as previsões indicam uma maré suficientemente alta, operadores iniciam o processo antes que o pico chegue. Ar comprimido é bombeado para dentro das comportas, expulsando a água que as mantém submersas. À medida que ficam mais leves, elas giram sobre enormes dobradiças e começam a subir.
O vídeo abaixo mostra especificamente o funcionamento do MOSE e explica como as estruturas metálicas submersas recebem ar comprimido e se levantam para bloquear a entrada da maré em Veneza.
O levantamento das comportas leva aproximadamente 30 minutos. Depois que o risco passa, elas são novamente preenchidas com água e retornam aos alojamentos no fundo, processo que leva cerca de 15 minutos. Assim, a lagoa não permanece permanentemente isolada do Adriático.
Essa característica é essencial porque Veneza depende da troca natural de água com o mar. O MOSE foi concebido como uma defesa temporária, utilizada apenas quando as previsões indicam níveis capazes de provocar acqua alta significativa e inundar ruas, praças e edifícios históricos.
Sim. A primeira utilização bem-sucedida em situação real ocorreu em 3 de outubro de 2020. Naquele dia, uma maré alta ameaçava novamente inundar a cidade, mas as barreiras foram levantadas e Veneza permaneceu seca, marcando a estreia operacional do sistema depois de décadas de planejamento e construção.
Em novembro de 2022, o sistema voltou a demonstrar sua importância diante de uma previsão próxima de 170 centímetros. Enquanto níveis elevados eram registrados fora da área protegida, as barreiras mantiveram o centro histórico livre de uma inundação que teria atingido grande parte da cidade.
O valor de R$ 30 bilhões é apenas uma aproximação, pois depende da cotação do euro.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.