Irã e Omã fecham acordo sobre nova rota pelo Estreito de Ormuz
“Apesar das obstruções por parte dos Estados Unidos, as negociações entre Irã e Omã avançaram de forma positiva e foi alcançado um acordo sobre um plano de tráfego marítimo”, afirmou Baghaei, segundo a imprensa iraniana.
Segundo o porta-voz, o entendimento foi resultado de uma articulação entre diferentes órgãos do governo iraniano, sob coordenação do Ministério das Relações Exteriores, com participação das áreas de Defesa, Segurança e Meio Ambiente.
O governo de Omã também confirmou seu envolvimento na criação de um corredor marítimo.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores omanense informou que o país vinha trabalhando em coordenação com a Organização Marítima Internacional (IMO) para disponibilizar um corredor marítimo temporário para embarcações, de acordo com coordenadas divulgadas pela IMO e pelas autoridades omanenses.
Mascate afirmou ainda que a iniciativa está baseada no compromisso com o direito internacional e com a liberdade de navegação.
A distinção é importante porque o tráfego pelo estreito continua profundamente afetado pelas tensões entre Irã e Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações com Omã são de natureza técnica e não devem ser confundidas com as conversações entre Teerã e Washington.
“As rotas que existiam anteriormente já não são funcionais e uma nova rota deve ser definida”, afirmou o chanceler. A posição iraniana é que a eventual retomada do trânsito de embarcações americanas dependerá de uma mudança na postura de Washington. Segundo Araghchi, os Estados Unidos terão de “corrigir seu comportamento”.
A relevância da disputa pode ser compreendida pela localização do Estreito de Ormuz. A passagem marítima separa Irã e Omã e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico.
Embora relativamente estreito, o corredor é utilizado diariamente por grandes petroleiros que transportam a produção de países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Irã.
Dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos mostram que o estreito movimentou, no primeiro semestre de 2025, aproximadamente 20,9 milhões de barris de petróleo por dia, volume equivalente a cerca de 20% do consumo mundial de líquidos derivados de petróleo e a aproximadamente um quarto de todo o petróleo comercializado por via marítima. Cerca de um quinto do comércio mundial de gás natural liquefeito também passou por Ormuz em 2024.
Por isso, qualquer interrupção prolongada do tráfego tem potencial para provocar aumento nos custos de transporte, reduzir a oferta internacional de petróleo e pressionar os preços de combustíveis e energia.
Existem algumas alternativas terrestres ao estreito, principalmente oleodutos que atravessam a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Mas a capacidade dessas estruturas é insuficiente para substituir completamente o volume que normalmente passa por Ormuz.
Dados de rastreamento analisados pela Reuters indicaram que o número de embarcações de carga que atravessaram o estreito caiu abaixo da média de agosto.
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