Coronel da PM suspeito de ligação com o PCC atuou no Massacre do Carandiru
O coronel da PM Luiz Carlos Pereira Martins, 60, suspeito de manter relações de proximidade e amizade com operadores financeiros do PCC (Primeiro Comando da Capital) investigados na Operação Janus, atuou no Massacre do Carandiru, em 2 de outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo.
A chacina no então maior presídio da América Latina deixou 111 detentos mortos e teve repercussão mundial. Pereira Martins era tenente do CPChoque (Comando de Policiamento de Choque) à época e foi um dos policiais militares processados em razão dos desdobramentos da operação.
Segundo as investigações, o oficial portava um revólver 38. Ele não foi acusado pelos homicídios, mas acabou processado pelo crime de lesão corporal grave contra um detento rendido na fase final da invasão ao Pavilhão 9 da Detenção. Pereira Martins fez a varredura no presídio junto com os oficiais Nivaldo César Restivo e Marcelo Streifinger.
Ambos também eram tenentes do CPCHoque. Eles foram promovidos a coronel e, já na reserva, nomeados ao cargo de secretário estadual da Administração Penitenciária. Restivo desempenhou a função entre os anos de 2019 e 2022. Streifinger o sucedeu em 1º de janeiro de 2023 e continua comandando a Pasta.
Um grupo de 74 PMs foi condenado pelo massacre em julgamentos realizados em 2013 e 2014. Mas em outubro de 2024, as penas que variavam de 48 anos a 624 anos foram extintas pela Justiça. Em 2022, os militares já haviam sido perdoados graças a um indulto natalino assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.
A Operação Janus foi deflagrada pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) em 21 de julho deste ano e - diz a investigação - reuniu indícios de que operadores financeiros do PCC mantinham amizade com Pereira Martins e outros dois coronéis da Polícia Militar.
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado), subordinado ao MP-SP, os indícios de proximidade e amizade de Pereira Martins com os operadores do núcleo financeiro do PCC aparecem em diálogos analisados pelos investigadores.
As trocas de mensagens apontam que os investigados Cléber Azevedo dos Santos, Paulo Rogério Silva, o "Paulo Barão", e Leonardo Meirelles, com apoio de Robson Martins de Souza e outros operadores, prestavam serviços de lavagem de dinheiro em benefício de integrantes e líderes do PCC.
O Gaeco teve acesso ainda a fotos de Pereira Martins e Cléber em uma confraternização com bebidas alcoólicas. Aposentado na PM, o coronel não foi alvo da Operação Janus. O nome dele aparece também em um relatório da Polícia Federal que investiga a ação de operadores e doleiros do PCC.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados do coronel Luiz Carlos Pereira Martins nem dos outros investigados na Operação Janus. O espaço está aberto para manifestações. O texto será atualizado assim que houver um posicionamento dos defensores deles.
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