Lanternas – Crítica: episódio 2 aponta para o espaço, mas brilha em Rushville
Tem um momento, logo nos primeiros dez minutos, em que Lanternas faz a coisa mais corajosa (e mais reveladora) da temporada até agora: deixa o anel de Hal Jordan sem carga.
Sem bateria, sem construtos, sem espetáculo verde iluminando a tela.
E é justamente aí, com o super-herói literalmente desligado, que a série encontra o que ela é de verdade, um drama policial de cidade pequena disfarçado de space opera.
O problema é que ela demora um episódio inteiro pra perceber isso, e você sente cada minuto dessa demora.
Separar Hal e John foi a melhor decisão do episódio A grande sacada de “Trust Fall” é mandar cada um para o seu canto.
Kyle Chandler despacha o pupilo de volta pra Coast City atrás da bateria (e pra alimentar o Earl, a planta carnívora alienígena que virou meu personagem favorito por pura falta de aviso prévio), e de repente a série respira.
Longe do bate-boca constante entre mentor e aprendiz, os dois finalmente conseguem existir como pessoas em vez de como uma dupla de comédia rabugenta.
Chandler está impecável.
O uniforme combina, e o cinismo cansado do veterano convence.
Ver um Lanterna Verde fazendo trabalho de detetive de verdade, vasculhando necrotérios, roubando corpos e descobrindo que os “detectores de metal” da cidade, na verdade, caçam alienígenas, mostra o que a proposta noir da série tem de melhor.
Quando Hal está sozinho, resolvendo mistérios na raça, Lanternas é ótima.
Já Aaron Pierre continua num lugar mais delicado.
O John Stewart dele fica mais interessante longe de Hal, não tem dúvida, a cena em que ele encosta o uniforme no peito, imaginando o próprio futuro, diz mais sobre o personagem do que qualquer diálogo expositivo.
Mas ainda falta uma faísca.
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