Como é feito um caldo perpétuo?
Se você substituir todas as tábuas de um navio, ao fim da reforma, ele ainda é o mesmo navio? O dilema, inspirado na mitologia grega, se chama Paradoxo de Teseu e veio à mente de muitos espectadores dos vídeos curtos de culinária de um norte-americano conhecido como Zaq (@zaq.makes).
O debate ficou tão popular que deu nome à receita de Zaq, Stewtheus , uma mistura de stew (caldo) e Theseus (Teseu) – algo como caldo de Teseu.
Vídeos curtos de culinária não são conhecidos por provocarem discussões filosóficas entre internautas, mas o caldo de Teseu é diferente.
Desde 2024, Zaq grava diariamente o progresso de seu caldo perpétuo.
Já são quase 500 vídeos seguindo o mesmo roteiro: ele mostra a aparência do alimento que ferve em uma panela elétrica, prova e avalia o caldo e acrescenta água e novos ingredientes – muitas vezes, sugeridos por comentários de fãs.
Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Zaq Makes (@zaq.makes) Continua após a publicidade O caldo fica ali, fervendo continuamente até o dia seguinte e os próximos, e é possível servir-se a qualquer momento.
Embora não mostre em vídeo, Zaq coa o caldo algumas vezes por semana para tirar o excesso de gordura suspensa e limpar os materiais que se acumulam derretidos no fundo da panela.
E, sim, ele jura que toma o caldo diariamente há mais de um ano.
E, não, isso não é só mais uma moda inventada por TikTokers.
Na verdade, diferentes versões de caldos perpétuos existem há séculos nas culinárias asiáticas, e especula-se que eles fossem parte da vida medieval na Europa também.
Continua após a publicidade Há dois célebres caldos perpétuos no fogo até hoje: o de Otafuku, no Japão, que ferve desde 1945; e o de Wattana Panich, na Tailândia, desde 1974.
Os apreciadores garantem que os caldos têm um gosto complexo, indefinível e inigualável. <span class="hidden">–</span> Camila Abdanur/Superinteressante Continua após a publicidade Esses alimentos são seguros se preparados diante de condições bem específicas, explica Evânia Figueiredo, professora aposentada do departamento de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Para evitar a proliferação de microrganismos, a temperatura do caldo deve ser mantida acima de 64º C o tempo todo – e isso deve ser monitorado com um termômetro constantemente.
Como na maioria das receitas, a qualidade final é muito dependente da qualidade da matéria prima.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em super.abril.com.br — o conteúdo pertence a Superinteressante.