Violência no Haiti cresce com ataques de gangue em alta
Uma noite de terror na cidade de Kenscoff, situada nas encostas do Haiti — que sofreu mais de uma dúzia de ataques desde o ano passado —, chocou a nação justamente quando o país se prepara para realizar sua primeira eleição em uma década e nações estrangeiras, apoiadas pelas Nações Unidas, prometem oferecer um apoio mais eficaz.
O ataque do último domingo (23) deixou pelo menos 47 mortos, alguns nas proximidades da delegacia de polícia, embora também tenham sido relatados sequestros.
Milhares de pessoas fugiram de suas casas para escapar de novos ataques.
Enquanto o Haiti aguarda o envio completo de uma força multinacional apoiada pela ONU — solicitada inicialmente pelo governo em 2022 —, agências internacionais compilaram dados que revelam a dimensão do conflito: Crescimento do número de mortos Cerca de 3.050 pessoas foram mortas no primeiro semestre deste ano no país, segundo dados do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH).
Já desde o início de 2022 foram mais de 21.000 mortos, com o número anual de vítimas aumentando a cada ano.
Até agora, em 2026, pelo menos 1.733 vítimas — mais da metade dos mortos — perderam a vida durante operações de segurança.
Dessas, pelo menos 229 foram identificadas como civis sem vínculo com gangues, atingidas por balas perdidas ou explosões de drones dentro de suas casas ou nas ruas.
O número de mortos deste ano inclui pelo menos 18 crianças mortas durante operações de segurança, mas, até o momento, não há relatos de investigações abertas sobre essas mortes.
Leia Mais Ataque de gangues no Haiti mata pelo menos 47 pessoas Soldado colombiano morre em campo minado; três ficam feridos Dar o filho à adoção ou viver escondido: o dilema dos imigrantes nos EUA Violência sexual e sequestros O BINUH registrou 1.088 vítimas de violência sexual até agora em 2026; a maioria dos casos envolveu estupro coletivo de mulheres, embora pelo menos 80 meninas menores de idade e dois homens também tenham sido relatados como vítimas.
Esse número representa um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2025, quando os relatórios do BINUH registraram 1.662 vítimas ao longo de todo o ano.
Vários ataques ocorreram quando uma gangue sequestrou um grupo de pessoas em Porto Príncipe, logo após a partida da Copa do Mundo da FIFA entre Haiti e Escócia.
Enquanto isso, os sequestros com pedido de resgate aumentaram 47% no segundo trimestre deste ano em comparação com os três primeiros meses, totalizando 81 pessoas sequestradas — incluindo autoridades governamentais de alto escalão, policiais fora de serviço e empresários, além de um número crescente de pessoas na região agrícola do Haiti.
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