Plantões de alerta
O crescimento de 43% nos casos de violência contra profissionais de enfermagem na Bahia, registrado pelo Coren-BA neste ano, liga a sirene de alerta.
O elevado percentual descreve o sintoma de um sistema de saúde operando no limite, transferindo suas falhas para quem está na linha de frente do atendimento.São 233 processos éticos envolvendo agressões físicas, ameaças, insultos e assédio moral – a análise dos números revela a dura realidade do ofício de Ana Nery.
A TARDE mostrou a prova inequívoca da instabilidade no episódio vivido pela enfermeira Rita de Cássia, agredida junto a duas colegas.A situação de vulnerabilidade expõe de forma objetiva o risco de trabalhar em unidades superlotadas, com equipes reduzidas e pressão constante a plena carga.
A violência brota dos fatos: ela é alimentada pela precarização, pela falta de insumos, pela sobrecarga e pela frustração de usuários e familiares sob alta tensão.
Leia Também: OPINIÃO Investimento ambiental OPINIÃO Viagem perigosa OPINIÃO O Dia D da imunização Diante das falhas do sistema, buscam-se culpados desesperadamente, apesar dos vultosos investimentos públicos em melhorias, além da construção de hospitais.
A descarga emocional vira agressão, e o alvo preferencial são enfermeiros, técnicos e auxiliares – profissionais aos quais se deve o funcionamento cotidiano da saúde.Há aspectos invisíveis: nos plantões, as orientações médicas são cumpridas em rotinas presenciais daqueles mais sacrificados.
A sensação de injustiça aumenta quando se conhece o perfil das turmas de Hígia e Panacea, formadas por gente afetuosa e dedicada à arte de cuidar de gente.A Campanha de Combate à Violência na Saúde é necessária e urgente, mas só terá efeito com o necessário fortalecimento de políticas públicas e de melhoria nas condições de trabalho daqueles que atualmente precisam encarar ambientes conflituosos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.