Após chamar jornalistas de ‘merdas humanas’, Milei propõe ‘castigo por informações inexatas’
O presidente da Argentina, Javier Milei , e seu ministro da Economia, Luis Caputo, defenderam nas redes sociais o lançamento de um projeto para punir com pena de prisão os jornalistas que publicarem o que definiram como “informações inexatas”.
A proposta foi levantada em publicações difundidas por ambos, nesta terça-feira (25/08), em suas contas na plataforma X, em comentários sobre duas reportagens de veículos conservadores argentinos que questionaram possíveis conflitos de interesse Milei e Caputo.
Em uma dessas publicações, o presidente da Argentina acusou os jornalistas de “merdas humanas”. A ofensa foi uma resposta à reportagem do jornal Clarín , um dos mais conservadores do país, sobre supostas reuniões para discutir a situação econômica argentina entre o mandatário e dois operadores de mercado: Julián Yosovitch (que também é apresentador do podcast Neura, no qual Milei já participou algumas vezes) e Federico Domínguez (também membro do think tank libertário Fundación Faro).
Em cima de um comentário de Domínguez negando que tal reunião tenha acontecido – alegando, com ironia, que talvez tivessem falado “telepaticamente” –, Milei escreveu: “MERDAS HUMANAS, MENTIROSAS, MERDAS HUMANAS, depois choram por maus modos… MERDAS poderiam começar por não mentir, CAGÕES…”.
Já o ministro Caputo criticou a conduta jornalística não com ofensas, mas com a proposta de punição aos profissionais da imprensa.
“Parece que, para certos jornalistas, mentir é um direito adquirido. A justiça deve ser feita. Precisamos de uma lei que castigue esse tipo de comportamento”, foi a proposta lançada pelo Ministro da Economia, sem especificar que tipo de castigo seria.
A publicação de Caputo foi republicada por Milei, minutos depois, junto com o comentário “desmascarando mentirosos”.
A publicação de Caputo não surgiu da reportagem do Clarín , e sim de outra matéria jornalística, relacionada ao próprio ministro.
Milei reagiu de forma agressiva a reportagens críticas a seu governo publicadas na imprensa argentina Revista Caras y Caretas
O reporte em questão foi do jornalista Beto Valdez, da Rádio Rivadavia , de Buenos Aires , que relatou um suposto esquema no qual o empresário Julio Made, amigo de Caputo, teria conseguido que seu conglomerado, o Grupo Lenor, adquirisse o controle de postos de gasolina em diversas localidades do país a partir de uma medida na qual a responsabilidade pelo controle dessas empresas saiu das mãos do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial.
Caputo alegou que a informação seria falsa, já que o ministro responsável por tal decisão não foi ele e sim Federico Sturzenegger, titular do Ministério da Desregulamentação.
No entanto, o próprio Valdez, em seu reporte, reconhece que a mudança foi promovida por Sturzenegger, mas alega haver informes técnicos dizendo que a medida prejudicaria a competitividade de mercado e que analistas consideravam estranho que o governo insistisse em uma política anti mercado e que, coincidentemente, favorecia um empresário que possui ligação com Caputo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.