La Captura – Crítica: Bom suspense da Netflix é sabotado pela previsibilidade
Faróis, rua vazia, uma abordagem de madrugada em Los Mochis que parece só mais uma na papelada do turno.
Dois policiais federais param um carro com queixa de roubo e, quando a coisa se resolveria em cinco minutos, percebem quem está no banco: Joaquín “El Chapo” Guzmán, o homem mais procurado do planeta naquele janeiro de 2016.
É desse tropeço do acaso que La Captura tira sua razão de existir.
O filme mexicano, que estreou na Netflix poderia ter sido mais uma biografia do traficante,mas preferiu virar as costas para ele.
A câmera fica com os policiais o tempo todo, e o Chapo passa quase o longa inteiro na periferia do quadro, algemado, negociando.
O ponto de vista que muda tudo Arturo Carmona (Alfonso Herrera) é um agente correto, casado, pai, o tipo de sujeito que faz o trabalho direito num sistema que não faz.
O parceiro, Héctor Rosales (Noé Hernández), é o chão que ele pisa.
A prisão cai no colo dos dois por sorte e azar na mesma medida, e a partir daí o roteiro de Bernardo Esquinca, apoiado nas crônicas do jornalista Héctor de Mauleón, fecha tudo numa única noite: manter o prisioneiro vivo, entregá-lo inteiro e resistir enquanto o cartel se organiza lá fora para buscá-lo.
O que dá liga ao filme não é o traficante, é o dinheiro.
A imprensa mexicana que cobriu o caso real, falou em uma propina na casa dos 50 milhões de dólares oferecida a um dos agentes.
É essa a pergunta que La Captura coloca na mesa e não tira: dois homens comuns, ganhando o que ganham, com o medo batendo na janela do carro, aguentam dizer não? O Chapo de Kotsifakis Se der para citar um motivo isolado para assistir, é Héctor Kotsifakis.
O ator fugiu da caricatura do narco psicopata de propósito.
Pesquisou, ouviu gravações de negociações do verdadeiro Guzmán, conversou com gente próxima, e chegou a um homem cauteloso, difícil de ler, esperto, que naquele ponto da vida já não estava no auge.
É um Chapo em decadência, cercado de brigas internas no próprio cartel, mas ainda assim perigoso.
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