La Captura: Netflix conta a história real por trás da prisão de El Chapo
São quase quatro da manhã numa estrada vazia perto de Los Mochis, e Arturo Carmona só quer terminar o turno.
Ele e o parceiro mandam parar um carro com queixa de roubo.
Aí um dos ocupantes abaixa o vidro e o rosto que aparece ali, encharcado de chuva, é o do homem mais procurado do mundo.
La Captura , que estreia na Netflix , faz uma escolha que quase nenhuma história sobre o narcotráfico tem coragem de fazer: ela tira Joaquín Guzmán do centro e coloca no lugar dele dois policiais federais exaustos, sem nome nos livros de história, diante da pior decisão da vida.
O filme não é sobre quem El Chapo é A premissa nasce de um detalhe verídico que parece roteiro.
Na madrugada de 8 de janeiro de 2016, seis meses depois de fugir do presídio do Altiplano por um túnel, El Chapo se escondia em Los Mochis.
Um cerco da Marinha o obrigou a descer para os bueiros de drenagem da cidade, e uma chuva forte encheu os dutos e o empurrou de volta à superfície, onde ele roubou um carro para tentar sumir na estrada.
Foi esse carro, nesse trecho de rodovia, que a Polícia Federal interceptou.
É desse ponto que o filme parte.
A partir do instante em que os dois agentes percebem quem está no banco, o relógio começa a correr contra eles: entregar o detido às autoridades e virar alvo do cartel, ou aceitar o suborno que resolveria a vida financeira dos dois para sempre.
O roteiro de Bernardo Esquinca, inspirado numa crônica de Héctor de Mauleón, não está interessado na biografia do capo.
Está interessado no que passa pela cabeça de um homem comum quando o crime organizado sussurra um número no seu ouvido.
Para quem este filme é indicado Vou ser direto com você.
La Captura é para quem gosta de thriller de decisão impossível, aquele filme em que ninguém precisa correr numa explosão porque o suspense mora inteiro numa conversa dentro de um carro.
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