De aperto a bets ao Bolsa Família: como medidas impactam varejo e consumo na Bolsa?
Três medidas anunciadas ou estudadas pelo governo federal entraram recentemente no radar dos investidores e podem influenciar as perspectivas para empresas de varejo e consumo listadas na B3: o reajuste de 15% do Bolsa Família, as possíveis restrições às apostas online e a promessa de distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS.
Embora tenham naturezas bastante distintas, as iniciativas compartilham um elemento em comum: o potencial de alterar a alocação da renda das famílias brasileiras e, consequentemente, afetar setores que dependem diretamente do consumo doméstico.
Entre elas, analistas veem o reajuste do Bolsa Família como a medida de impacto mais imediato sobre o varejo, especialmente para empresas expostas ao público de menor renda.
Segundo Raphael Monteiro, sócio da Finscale, o aumento da transferência de renda tende a chegar rapidamente à economia real porque famílias de menor poder aquisitivo costumam direcionar recursos adicionais para despesas essenciais.
Leia também Lula pode reajustar o Bolsa Família perto das eleições? Entenda o que diz a lei O advogado Vitor Goulart Nery, especialista em direito eleitoral ouvido pelo InfoMoney, destaca o que é permitido pela lei e o que é vedado em ano de eleição “Supermercados, atacarejos, farmácias, vestuário popular e redes com presença relevante nas regiões Norte e Nordeste podem capturar parte desse impulso”, afirma.
Análise do JPMorgan também apontou que varejistas de consumo básico e companhias com forte presença em regiões de menor renda entre as principais beneficiárias do aumento da renda disponível das famílias.
O JPMorgan vê Grupo Mateus ( GMAT3 ), Pague Menos ( PGMN3 ) e, em menor grau, Assaí ( ASAI3 ) como as companhias mais expostas ao potencial aumento do consumo.
Ainda assim, Monteiro ressalta que o efeito sobre os resultados pode não ocorrer na mesma magnitude observada no crescimento das vendas.
“O aumento pode aparecer primeiro no fluxo de clientes e nas vendas mesmas lojas, mas não necessariamente na mesma proporção sobre o lucro, já que alimentos e itens básicos operam com margens menores”, destaca.
Outro fator observado pelos investidores é a forma de financiamento da medida.
Caso o mercado interprete um aumento de gastos sem contrapartida fiscal, a eventual alta dos juros futuros poderia limitar parte do benefício para as ações de consumo.
Restrições às bets podem devolver parte da renda ao consumo A possível edição de uma medida provisória restringindo ou até proibindo determinadas modalidades de apostas online também passou a ser analisada pelo mercado sob a ótica dos impactos sobre o consumo.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.