Relatório indica como marcas devem se portar em um mundo 'indiferente'
Ser diferente já não basta para uma marca conquistar espaço na vida das pessoas. Em um cenário de consumidores mais impacientes, relações mais provisórias e tecnologias que interferem cada vez mais nas decisões de compra, o desafio passou a ser outro: demonstrar, de forma concreta, porque ainda vale a pena ser escolhido.
Essa é a principal discussão do Gad Insights 2026, estudo anual da consultoria de branding e design Gad, que chega à 7ª edição com dez tendências sobre o futuro das marcas.
Intitulado "O Desafio da Relevância - Como continuar importando em um mundo indiferente?", o relatório parte do que chama de "economia da impaciência".
A ideia é que a diminuição da expectativa em relação ao futuro aumenta a pressão pelo presente: consumidores querem respostas mais rápidas, soluções que eliminem etapas e experiências capazes de reduzir a distância entre desejo e satisfação.
Nesse ambiente, a lealdade também se torna mais difícil de sustentar. "Vivemos a passagem de uma economia da atenção para uma economia da impaciência", afirma Luciano Deos, CEO do Gad. "Diante de um mercado com tantas alternativas, ninguém quer mais ficar preso a algo, e a lealdade às marcas precisa ser reconquistada todos os dias", afirma o executivo.
Um dos reflexos dessa transformação está na inteligência artificial. O estudo cita levantamento da Capgemini segundo o qual 58% dos consumidores globais afirmaram ter substituído mecanismos tradicionais de busca por IAs generativas em 2025, contra 25% em 2023.
Quando alguém pergunta a ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Claude qual produto comprar ou qual empresa contratar, a tecnologia pode apresentar uma recomendação pronta, fazendo com que algumas marcas apareçam e outras sequer sejam consideradas.
É o que o Gad' chama de "relevância generativa": além de disputar espaço na cabeça do consumidor, as empresas passam a precisar ser compreendidas e citadas pelas próprias máquinas.
Há um insight em especial, o "fomo corporativo", que funciona como uma espécie de alerta para os demais. Na tentativa de acompanhar todas as tendências, uma empresa pode acabar entrando em bem-estar, tecnologia, sustentabilidade, entretenimento e performance ao mesmo tempo —e perder clareza sobre aquilo que efetivamente representa.
Para o Gad, relevância também envolve saber quais conversas merecem uma resposta e quais podem simplesmente passar.
"Em um mundo de alternativas abundantes, ser diferente não garante ser importante", diz o executivo. "Ser relevante hoje é resolver uma necessidade; continuar sendo relevante amanhã exige reconhecer que aquela mesma pessoa terá outro corpo, outra família, outros projetos e outras prioridades", afirma Deos.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.