Alta do Bolsa Família é compatível com responsabilidade fiscal, diz Durigan
Em entrevista exclusiva ao UOL na manhã desta sexta-feira (18), o ministro destacou que o Orçamento de 2026 tem espaço para o reajuste e que, para 2027, outros "temas" [gastos] podem ser revistos diferente para abrir espaço para o aumento. Ele, porém, não especificou como isso seria feito.
Durigan foi convidado pelo UOL , no início de setembro, para dar uma entrevista como interlocutor da área econômica da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O UOL também convidou Daniella Marques, porta-voz da área do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Ela, no entanto, desistiu de participar no início desta semana.
Ainda em relação às contas públicas, Durigan afirmou que a trajetória de alta na relação dívida pública/PIB do país o incomoda. Disse que gostaria de entregar um resultado fiscal melhor neste ano, mas responsabilizou o Congresso pelo gastos adicionais que impediram esse resultado. Se Lula for reeleito, acrescentou, a dívida/PIB não deverá passar de 80% do PIB.
"Eu não queria que passasse de 80% do PIB. Mas vamos chegar a 2030 abaixo de 80% do PIB. Ou pelo menos em 80% do PIB. Porque esse é um limite que nos incomoda." Dario Durigan, ministro da Fazenda
O ministro confirmou que o governo estuda um programa para reduzir o endividamento do consumidor no qual o Tesouro Nacional compraria os débitos com deságio. O consumidor poderia - ou não - pagar para o governo parte desse valor. Segundo Durigan, porém, não dará tempo de tirar o projeto do papel ainda em 2026, e a proposta seria colocada em prática apenas em uma eventual reeleição.
É importante pontuar as diferenças. Passamos três anos e meio ajustando o Orçamento. Recebemos o Orçamento com R$ 189 bilhões de déficit. Só agora tivemos condição de acomodar [esse aumento]. Não é um aumento real. É uma recomposição inflacionária. O Ministério do Desenvolvimento Social já vinha pedindo o reajuste, mas foi agora que conseguimos achar o espaço fiscal. Em 2022 [quando o então presidente, Jair Bolsonaro, fez o reajuste], houve um calote em precatório. Neste ano não tem crédito extraordinário, não tem aumento global das despesas. Para acomodar um aumento que vai impactar em mais de R$ 5 bilhões, estamos remanejando despesas de outros lugares e começando a fazer a revisão de gastos para que, no ano que vem, os R$ 22 bilhões também sejam acomodados.
Há uma preocupação entre investidores sobre como vai ser o remanejamento.
Falando de 2026, fizemos um bloqueio no Orçamento de R$ 22 bilhões no começo do ano. Também neste ano, a fila do INSS caminhou bem. Então, temos R$ 5 bilhões, R$ 6 bilhões da poupança que não vão ser consumidos com a fila do INSS. Para os próximos anos, estamos falando de R$ 22 bilhões e tem outros temas que a gente pode alocar.
Durante a campanha, o sr. tem procurado passar uma mensagem para o mercado financeiro de que um eventual novo governo vai estar comprometido com uma política fiscal organizada. O sr. falou recentemente que o presidente Lula sofre de "preconceito fiscal". Essa medida anunciada ontem vai na direção oposta da sua mensagem.
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