O que Lula já disse sobre ajuste fiscal e o que falta esclarecer para o 4º mandato
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou novamente em discussão como o governo pretende equilibrar as contas públicas a partir de 2027.
Durante a campanha, o presidente defendeu o crescimento da economia como principal instrumento de ajuste fiscal e rejeitou cortes que atinjam programas sociais.
Sua equipe econômica prometeu dar continuidade à revisão de despesas obrigatórias e benefícios tributários, mas ainda não apresentou um pacote detalhado para o próximo mandato.
O desafio envolve uma dívida pública superior a 82% do Produto Interno Bruto (PIB), juros elevados e despesas obrigatórias que ocupam parcela crescente do Orçamento.
Ao mesmo tempo, Lula anunciou novas iniciativas na área social, no crédito e na infraestrutura, cujos custos terão de ser acomodados dentro das regras fiscais.
Leia também Os 3 testes fiscais que Lula terá de passar para recuperar o mercado, segundo UBS Banco diz que investidores devem exigir medidas concretas, compatibilização de R$ 300 bilhões em compromissos de campanha e capacidade de aprovação no Congresso Lula 4 terá desafio de unir agenda social e estabilidade fiscal com Congresso adverso Novo mandato exigirá ampla articulação com o Congresso para conter a dívida pública, frear o risco fiscal e atrair investimentos, dizem analistas Na campanha, o presidente evitou assumir compromissos com reduções expressivas de gastos.
Em setembro, durante entrevista, afirmou que sua gestão já vinha promovendo ajustes nas contas públicas.
“No meu governo não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal.
Ajuste fiscal eu faço na prática”, declarou.
Na sabatina da TV Glob o, em 15 de outubro, Lula apresentou o crescimento econômico como caminho para melhorar a arrecadação e reduzir os desequilíbrios fiscais.
Também defendeu medidas de crédito e renegociação de dívidas para estimular a atividade econômica.
Fazenda promete continuidade, com novas medidas O discurso da equipe econômica acrescenta uma dimensão que Lula pouco detalhou durante a eleição, da necessidade de conter o avanço das despesas obrigatórias.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o quarto mandato deverá preservar o arcabouço fiscal e seguir uma trajetória gradual de melhora do resultado primário, sem mudanças bruscas na política econômica.
Em entrevista ao UOL na sexta-feira (23), Durigan reconheceu que o desequilíbrio fiscal não poderá ser resolvido integralmente no primeiro ano do novo governo.
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