Juros futuros disparam após eleição por incertezas sobre ajuste fiscal
As taxas dos contratos de juros futuros registram forte viés de alta nesta segunda-feira, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo profissionais de mercado, o resultado das urnas frustrou as expectativas predominantes entre agentes financeiros e alimentou incertezas sobre a política fiscal.
Juros futuros disparam nesta segunda-feira (26). As taxas de longo prazo disparam até 1,82 ponto percentual. Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) em janeiro de 2027 atingiram o limite estabelecido pela B3 e estão na máxima de 14,288%. Os percentuais superam 15,03% para janeiro de 2029; e 15,25% para o mesmo mês de 2031.
Tesouro recomprou R$ 7,1 bilhões em títulos públicos. A disparada dos juros levou à aquisição de 5 milhões de NTN-Fs (Notas do Tesouro Nacional - Série F) com prazo de cinco anos, de 2,4 milhões com vencimento em sete anos e de 1 milhão de NTN-Fs de 10 anos. A decisão sobre os títulos de renda fixa prefixados consiste em uma alternativa para limitar o aumento das taxas de juros.
Oscilações foram motivadas por resultado eleitoral. A alta reflete a decepção do mercado financeiro com a vitória de Lula no segundo turno eleitoral, que vê na continuidade desse governo menor espaço para controle das contas públicas. "A pancada no juro futuro acontece porque os investidores olham para o Brasil e não confiam", diz Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos da AW Capital. Em 2022, o mercado acreditou que o governo faria mais ajustes, mas viu que isso não aconteceu ao longo desses anos. Por isso, a reação é muito pior hoje. Gabriel Magno, da AW Capital
Desconfiança alimenta cautela. Profissionais do mercado financeiro dizem que no novo mandato, o governo precisa demonstrar empenho com ajuste dos gastos e com superávit fiscal previsto para os próximos anos. "O mercado criou otimismo na campanha com a campanha de Flávio [Bolsonaro (PL) pela expectativa de que haveria um cuidado maior com o fiscal no Brasil", diz Roberta Folgueral, diretora de câmbio da B&T XP.
Mercado teme descontrole dos gastos com Lula. Os analistas justificam o pessimismo refletido no avanço dos juros e do dólar e na queda da Bolsa como um reflexo das promessas de campanha. "O governo apresentou diversos projetos que estão aumentando o gasto público. Isso aumenta a preocupação com fiscal e impacta a inflação", diz Vinicius Lindoso, assessor de investimentos da Miúra.
A gente volta a ter uma taxa futura mais alta, mas segue com a tendência de baixa de juros, que vai depender um pouco de como o governo vai se posicionar em relação ao fiscal. Vinicius Lindoso, assessor de investimentos da Miúra.
Oscilação dos juros tem potencial para alcançar a economia real. O aumento dos juros desestimula os planos das empresas e afasta os investidores estrangeiros. "Com a captação de crédito subindo muito, os investimentos e expansões ficam menos atraentes, principalmente do ponto de vista do dinheiro do exterior que poderia vir para cá", diz Roberta Folgueral, diretora de câmbio da B&T XP .
Desdobramentos devem atingir o futuro da taxa básica de juros.
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