Nikolas debocha de suspensão do Discord, rede em que menina foi induzida a tirar a vida
Em mais uma demonstração de cálculo político sobreposto à empatia e ao respeito humano, o deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um pronunciamento à imprensa no Congresso Nacional para fazer troça de uma medida regulatória urgente e necessária tomada em defesa de crianças e adolescentes.
Acompanhado por uma horda de outros parlamentares da extrema direita, que riam e debochavam abertamente enquanto ele falava, o deputado ridicularizou a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que determinou a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma Discord no Brasil.
O pano de fundo da medida, completamente ignorado pelo congressista e pelos seus aliados, é de um horror estarrecedor: o suicídio de uma menina de apenas 13 anos de idade, transmitido ao vivo e induzido por criminosos que habitam o ecossistema sem regras.
Sem falar uma única palavra de solidariedade à família da vítima e silenciando de forma cúmplice sobre a responsabilidade das big techs, Nikolas preferiu transformar o episódio em palanque ideológico e cabo eleitoral de ocasião.
Diante dos microfones e das câmeras dos meios de comunicação, dirigindo-se ao público jovem, o deputado limitou-se a usar o tom irônico que marca sua trajetória para culpar a primeira-dama, Janja Lula da Silva, pela decisão do órgão regulador.
“A nossa camisa 10 e faixa, que é a Janja, acaba de, através da sua influência, derrubar as lives no Discord”, disse Nikolas no vídeo, rindo e batendo palmas debochadas.
“Mais uma vez, obrigado, porque o eleitorado jovem deste país vai amar.
Uma salva de palmas para a Janja.” O cinismo como estratégia de cooptação A fala do parlamentar não é apenas desprovida de sensibilidade diante de um luto nacional; revela uma tática deliberada de cooptação política baseada na alienação.
Ao insinuar que a suspensão de um recurso de transmissão afetará o humor do eleitorado jovem nas urnas, Nikolas tenta transformar uma medida de proteção à vida e de combate à criminalidade juvenil em uma mera disputa de simpatia eleitoral, pois afinal, o que conta para ele são os votos.
Para sustentar a narrativa defensiva em prol de uma plataforma conhecida globalmente por falhas graves na moderação de conteúdo, o deputado recorreu a falácias conhecidas e argumentos primários, para não dizer cretinos e cínicos.
Em sua fala, recorreu a comparações descabidas ao equiparar uma plataforma digital de comunicação a objetos inanimados do cotidiano: “Segundo a lógica da esquerda, você sempre tem que derrubar a plataforma por causa de um criminoso, né? Então, se for assim, nós vamos ter que proibir faca também.
Faca mata gente.
Nós vamos ter que proibir o Instagram também… Nós vamos ter que proibir os carros também”, alegou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistaforum.com.br — o conteúdo pertence a Revista Fórum.