Agrogenômica: o estudo da vida invisível dos solos que desvenda microrganismos desconhecidos
Os solos estão entre os ambientes mais biodiversos do planeta. Um único grama de solo pode abrigar entre 10 e 100 bilhões de células bacterianas, pertencentes a milhares ou mesmo dezenas de milhares de espécies diferentes.
E o mais impressionante desse mundo em escala reduzida é que a maior parte das espécies identificadas por análises genéticas no solo ainda não possui nome, função ou registro na ciência e menos de 1% das 10 bilhões de espécies que habitam o interior e a superfície do solo são catalogadas.
Mas compreender esse complexo mundo subterrâneo exige ir além da identificação dos microrganismos. Como em uma floresta - em que todos os seres vivos que nela existem se relacionam com o ambiente -, o estudo do solo precisa não só identificar os seres que ali habitam, mas também compreender as relações entre eles.
Se em apenas um grama de solo bilhões de organismos trabalham em rede, trocando nutrientes, protegendo o ambiente e produzindo substâncias que ainda sequer conhecemos, é fundamental que a conheçamos melhor esse ambiente.
Nessa área de estudos, temos dois conceitos fundamentais: microbiota, que corresponde ao conjunto de fungos, bactérias e outros organismos presentes no solo; e microbioma, que considera também os genes, funções metabólicas e interações que tornam esses organismos capazes de atuar no ambiente. Em outras palavras, um microbioma engloba, além de seus "habitantes", suas interações e funções.
É nesse cenário microscópico, e ao mesmo tempo gigantesco, que buscamos respostas para desafios da agricultura, da sustentabilidade e até da saúde pública. Dentro do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Agrogenômica: Microbioma de Solos, nosso objetivo é criar um dos maiores bancos de dados sobre microbiomas agrícolas do mundo, reunindo informações genéticas, químicas, físicas, ambientais e biológicas de milhares de amostras coletadas em diferentes regiões do Paraná.
O NAPI Agrogenômica: Microbioma de Solos integra uma grande rede colaborativa articulada pela Fundação Araucária. A iniciativa reúne mais de 30 pesquisadores de diferentes instituições do Paraná, conectando universidades, laboratórios, equipamentos e especialistas de áreas diversas.
O projeto surgiu da necessidade de ampliar o uso das tecnologias genômicas no agronegócio paranaense. O Paraná é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e precisa fortalecer a pesquisa genômica voltada ao campo.
O objetivo do NAPI é ambicioso: coletar amostras das dez mesorregiões do Paraná, acompanhando propriedades rurais ao longo de cinco anos. A pesquisa prevê visitas semestrais às áreas agrícolas, sempre comparando os pontos mais produtivos e menos produtivos de cada propriedade.
Mas a preocupação vai além de coletar o solo e realizar análises. O objetivo é compreender tudo o que aconteceu naquele ambiente e como a história de uso da propriedade pode ajudar a explicar os resultados encontrados.
Ao final do projeto, a expectativa é coletar 8 mil amostras .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.terra.com.br — o conteúdo pertence a Terra.