Lula vence a eleição. Agora precisa vencer os problemas do Brasil
A conquista do quarto mandato impõe a Luiz Inácio Lula da Silva uma responsabilidade que ultrapassa o resultado das urnas.
O presidente terá de administrar um país dividido, enfrentar o desequilíbrio das contas públicas, negociar com um Congresso mais conservador e oferecer respostas a uma população que precisa de segurança, atendimento de saúde, educação de qualidade e renda suficiente para viver.
A experiência acumulada aumenta a obrigação de entregar resultados.
A primeira tarefa será reconstruir a confiança.
A reação dos investidores à reeleição foi contundente: na manhã desta segunda-feira, o EWZ, fundo que acompanha ações brasileiras negociadas nos Estados Unidos, chegou a recuar cerca de 26% no pré-mercado.
É importante delimitar o dado: tratava-se de uma cotação anterior à abertura regular das negociações, e não de uma queda consolidada no fechamento.
Ainda assim, o movimento expressa a dimensão da desconfiança que o governo terá de enfrentar. veja.abril.com.br O mercado não governa o Brasil nem substitui a soberania do voto.
Suas reações, entretanto, podem produzir consequências para quem está longe da Bolsa: encarecer o crédito, pressionar o câmbio, adiar investimentos e dificultar a geração de empregos.
Cabe ao presidente responder com uma política econômica compreensível, uma equipe capaz e compromissos que sobrevivam aos discursos.
O centro dessa resposta está nas contas públicas.
O governo precisa demonstrar como pretende financiar suas prioridades, controlar o crescimento das despesas e construir uma trajetória sustentável para a dívida.
A responsabilidade fiscal interessa diretamente ao cidadão que depende dos serviços públicos.
Quando o orçamento perde credibilidade, fica mais difícil criar condições para juros menores, ampliar investimentos e preservar políticas sociais.
Nesse cenário, o chamado “pacote de bondades” anunciado na reta final da campanha exige explicações claras.
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