Mercado caiu demais? Bancos divergem sobre o que vem pela frente
Depois de um dos piores pregões da história recente do mercado brasileiro, bancos e casas de análise divergem sobre o que vem pela frente. Enquanto BTG Pactual, Morgan Stanley e JPMorgan enxergam espaço para novas perdas e mais pressão sobre dólar e juros, outras casas avaliam que o tombo pode ter deixado ativos brasileiros mais atraentes.
A diferença está principalmente na avaliação sobre quanto do risco já foi incorporado aos preços. Para os mais pessimistas, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exige uma nova rodada de ajuste diante das incertezas fiscais. Por outro lado, analistas argumentam que parte da queda reflete o desmonte de apostas feitas antes da eleição e não uma deterioração equivalente dos fundamentos do país.
Ontem, o Ibovespa, principal índice da B3, chegou a cair mais de 17% durante o pregão e teve as negociações interrompidas pelo circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. A bolsa encerrou o dia com queda de 13,9%, aos 176.357 pontos . O dólar terminou cotado a R$ 5,403, e os juros futuros dispararam.
BTG Pactual e Morgan Stanley avaliam que a pressão pode continuar nas próximas semanas. O BTG calculou que o Ibovespa poderia cair para a região dos 170 mil pontos, cerca de 17% abaixo do nível usado como referência pelo banco antes da reação ao resultado eleitoral. Para o real, estimou desvalorização de 10% a 15%. Medida em dólares, a queda das ações brasileiras poderia chegar a cerca de 30%.
O Morgan Stanley projetou correção de 20% a 30% para as ações brasileiras. No câmbio, estimou inicialmente o dólar em R$ 5,50 e, em uma segunda etapa de deterioração, entre R$ 5,60 e R$ 5,70.
Em um cenário de agravamento dos riscos fiscais, a moeda americana poderia chegar a R$ 6, mas o banco ressalta que esse não é seu cenário imediato. Uma sinalização de compromisso com o ajuste das contas públicas poderia reverter parte do movimento.
A preocupação está principalmente na trajetória da dívida. O Morgan Stanley estima déficit primário de 0,7% do PIB em 2027 e dívida bruta de 86,9% do PIB em seu cenário-base. Em uma simulação de ajuste fiscal tardio e superficial, a dívida poderia alcançar 106% do PIB em 2035.
O JPMorgan também considera que a reprecificação dos ativos pode não ter terminado. O banco reduziu sua recomendação para o real e para títulos públicos brasileiros em moeda local, de uma exposição acima da referência para uma posição neutra.
Segundo o banco, os mercados haviam incorporado aos preços um resultado eleitoral "materialmente diferente". Para as ações, o JPMorgan estimou queda de aproximadamente 20% em relação aos níveis anteriores à reação eleitoral e trabalhou com dólar a R$ 5,50.
A Gavekal Research considera que o tombo pode abrir uma oportunidade de compra . Para a casa, parte da magnitude do movimento é explicada pela necessidade de investidores desfazerem posições montadas na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
A Gavekal argumenta que, passada essa pressão inicial, continuam existindo razões estruturais para investir no Brasil.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.