O mecanismo grego de 2.000 anos que sobreviveu em 82 fragmentos e ainda intriga cientistas com suas engrenagens
Raios X revelaram como engrenagens corroídas escondiam uma sofisticada calculadora astronômica criada na Grécia Antiga
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Encontrado entre os destroços de um antigo navio no Mediterrâneo, o mecanismo de Anticítera chegou ao presente reduzido a peças corroídas de bronze. Mesmo assim, aquilo que restou foi suficiente para revelar um nível de engenharia que durante décadas pareceu incompatível com a tecnologia conhecida da Antiguidade.
O artefato fazia parte da carga de um navio que naufragou perto da pequena ilha grega de Anticítera. Mergulhadores de esponjas localizaram os destroços em 1900, e a recuperação dos objetos ocorreu principalmente entre 1900 e 1901. O naufrágio é situado aproximadamente no século I a.C., embora parte da carga seja mais antiga.
No início, os blocos corroídos não mostravam claramente o que escondiam. A presença de rodas dentadas chamou a atenção dos pesquisadores no começo do século XX. Hoje, o Museu Arqueológico Nacional da Grécia considera o artefato um dos mais importantes instrumentos científicos preservados da Antiguidade.
A situação é mais extrema do que algumas reconstruções modernas fazem parecer. Estudos indicam que somente cerca de um terço da máquina original chegou até nós. O conjunto conhecido está dividido em 82 fragmentos e preserva 30 engrenagens de bronze corroídas, sendo que 27 delas estão concentradas no chamado Fragmento A.
Entre os elementos que ajudam os pesquisadores a reconstruir o aparelho estão.
Um vídeo particularmente útil é a apresentação do professor Tony Freeth, pesquisador da University College London e um dos principais especialistas modernos no artefato. A palestra mostra como engrenagens, inscrições e reconstruções matemáticas ajudam a interpretar a máquina original.
O usuário movimentava manualmente o sistema, transmitindo rotação por uma sequência de rodas dentadas. As relações entre os números de dentes permitiam reproduzir ciclos astronômicos. O aparelho podia indicar informações relacionadas ao calendário, à posição do Sol e ao movimento da Lua, incluindo características de seu ciclo que exigiam uma transmissão mecânica sofisticada.
Isso não significa que o instrumento calculasse o céu como um computador eletrônico moderno. Era uma calculadora mecânica analógica: determinadas relações astronômicas conhecidas pelos gregos eram convertidas em movimentos de ponteiros e mostradores por meio das engrenagens.
Sim, mas “prever” precisa ser entendido no contexto da astronomia antiga. O mecanismo incorporava o ciclo de Saros, de 223 meses lunares, conhecido na astronomia babilônica e útil para identificar a repetição aproximada das condições necessárias para eclipses solares e lunares.
Portanto, ele não observava o céu e fazia uma previsão nova a cada utilização. Suas engrenagens representavam ciclos previamente conhecidos, permitindo projetá-los mecanicamente para outras datas. Essa diferença torna o feito menos misterioso, mas não menos impressionante.
O grande avanço ocorreu quando técnicas modernas começaram a enxergar detalhes inacessíveis na massa de bronze corroído.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.