Uma salmoura vermelha escorre da geleira Taylor na Antártida e parece sangue sobre o gelo, mas a cor surge quando ferro dissolvido encontra o ar e se transforma em partículas oxidadas
A água extremamente salgada emerge da geleira Taylor carregada de ferro e ganha sua intensa tonalidade vermelha ao alcançar a superfície
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Uma mancha vermelho-escura escorrendo sobre o gelo branco transformou a Blood Falls em uma das paisagens mais estranhas da Antártida. Apesar da aparência assustadora, não existe sangue envolvido: o fenômeno nasce de uma salmoura extremamente salgada e rica em ferro que emerge da geleira Taylor e muda de aspecto ao alcançar a superfície.
A Blood Falls fica na extremidade da geleira Taylor, no Vale Taylor, dentro dos Vales Secos de McMurdo. O fenômeno foi observado durante expedições no início do século XX e inicialmente chegou a ser associado a algas vermelhas. Estudos posteriores demonstraram que a coloração está relacionada principalmente ao ferro transportado pela água salgada.
Quando a salmoura emerge do ambiente pobre em oxigênio sob o gelo e entra em contato com as condições da superfície, compostos de ferro sofrem transformações químicas. O resultado é a formação de material oxidado que produz os tons avermelhados e alaranjados espalhados sobre o gelo.
A água não nasce de uma cachoeira convencional derretendo continuamente na superfície. Pesquisas indicam a existência de um sistema de salmouras sob a geleira Taylor. A elevada concentração de sais reduz o ponto de congelamento da água e ajuda a manter líquido esse ambiente mesmo em temperaturas abaixo de zero.
O vídeo da série NOVA, da PBS, mostra especificamente a Blood Falls na geleira Taylor e explica por que a água rica em ferro adquire sua aparência avermelhada, oferecendo uma visualização direta do fenômeno descrito na matéria.
Durante muito tempo, a explicação foi resumida à ideia de que o ferro dissolvido simplesmente “enferrujava” ao encontrar o oxigênio. Essa interpretação continua essencial, mas análises modernas revelaram uma química mais complexa. Pesquisadores identificaram pequenas partículas ricas em ferro associadas ao material que produz a coloração característica.
Isso torna inadequado imaginar apenas pedaços comuns de ferrugem dissolvidos na água. O ferro transportado pela salmoura passa por processos de oxidação quando alcança a superfície, formando materiais que absorvem e refletem luz de maneira responsável pelo aspecto vermelho intenso observado no gelo.
Apesar do nome “quedas de sangue”, não há uma cachoeira permanente descendo da geleira. A descarga é intermitente. Estudos mostram que a salmoura pode ser expelida quando mudanças de pressão e movimentos do gelo favorecem seu deslocamento através de fraturas e caminhos internos até a superfície.
Por isso, fotografias feitas em momentos diferentes podem mostrar quantidades bastante distintas de líquido e manchas vermelhas. O que permanece no gelo também registra descargas anteriores, fazendo a região parecer permanentemente coberta por um fluxo vermelho mesmo quando pouca salmoura está saindo naquele instante.
A importância científica do local vai muito além da aparência.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.