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Patologizar comportamentos e sentimentos faz pessoas se autodiagnosticarem com transtornos que não têm

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Patologizar comportamentos e sentimentos faz pessoas se autodiagnosticarem com transtornos que não têm

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"Comportamentos que parecem jeitinho de ser, mas são claros sinais de TDAH. " "Dez coisas que pessoas com TDAH amam fazer." "Cinco sinais de que você pode ter borderline e nem sabe." Vídeos assim fazem sucesso nas redes sociais, e pessoas muitas vezes sem formação médica tentam diagnosticar transtornos a partir de comportamentos cotidianos.

Os vídeos, encontrados com uma busca rápida pelos termos em plataformas como TikTok e Instagram , fazem parte de um processo mais amplo que alguns pesquisadores chamam de patologização da vida , em que experiências, emoções e sofrimentos comuns passam a ser vistos cada vez mais como sintomas de transtornos mentais.

O psiquiatra Rossano Cabral Lima, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj ( Universidade do Estado do Rio de Janeiro), reconhece a necessidade de dar sentido ao sofrimento . O problema começa, diz, quando o diagnóstico vira a explicação principal para qualquer mal-estar ou traço de personalidade.

"A gente precisa reconhecer o mal-estar, reconhecer as formas de sofrimento", afirma. "Mas a gente tem que ter uma mente aberta e crítica para essa tentativa de responder a esse mal-estar exclusivamente ou principalmente a partir dos diagnósticos psiquiátricos."

Para ele, a classificação pode padronizar o sofrimento, fazendo com que pessoas com histórias muito diferentes recebam o mesmo rótulo enquanto o contexto daquela dor fica em segundo plano .

O resultado, segundo o médico, é uma "psiquiatria de checklist", em que basta somar um número mínimo de sintomas para que a conclusão pareça dada. "Muitas vezes as pessoas já chegam ao consultório, de fato, convencidas do que elas têm. Elas só procuram um aval médico."

Muitas vezes as pessoas já chegam ao consultório, de fato, convencidas do que elas têm. Elas só procuram um aval médico

Um artigo publicado em 2025 no Journal of Autism and Developmental Disorders analisou 150 vídeos do TikTok sobre autismo na vida adulta e identificou sinais de patologização de experiências comuns.

Dos 116 vídeos que descreviam traços ou sintomas, 76 associavam ao autismo comportamentos comuns na população, como sentir cansaço após interações sociais.

Os 150 vídeos analisados somaram mais de 1,1 bilhão de visualizações, com média de 7,18 milhões por vídeo e taxa de engajamento de 20,6%. A maioria (95%) foi produzida por usuários que se identificavam ou eram presumidos como autistas. Apenas um vídeo foi feito por um profissional de saúde.

Para a psicóloga Flávia Albuquerque, autora do livro "Despatologiza" (Rocco), esse tipo de conteúdo nas redes sociais combina promessa de autoconhecimento, identificação imediata e pertencimento. Em poucos minutos, oferece uma resposta para a pergunta "por que eu sou assim?".

O alcance dos vídeos também está na escolha dos comportamentos apresentados como sintomas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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