Einstein e Fundação Champalimaud firmam parceria para avançar em pesquisa de câncer e medicina de precisão
Às margens do Tejo, num prédio onde as salas de tratamento têm vista para o rio e os corredores foram desenhados para que cientista, médico e pacientes se cruzem todos os dias, o Einstein e a Fundação Champalimaud, uma das principais instituições de pesquisa biomédica de Portugal, formalizaram na última terça-feira, 20, um acordo de cooperação científica.
No mesmo dia, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) assinou com a Champalimaud uma carta de intenção para definir vias de financiamento a projetos conjuntos.
A parceria tem três frentes prioritárias, terapia celular, teranóstica e multiômica, e pretende combinar a experiência brasileira em pesquisa clínica com as competências da instituição portuguesa em ciência básica e investigação biomédica.
Entre as possibilidades discutidas estão a criação de um biobanco transnacional, o desenvolvimento de projetos multicêntricos e o intercâmbio de especialistas para acelerar descobertas e ampliar as alternativas de diagnóstico e tratamento, especialmente na oncologia.
Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud e ex-ministra da Saúde de Portugal, explica que o acordo amplia uma colaboração que já vinha sendo construída e a expectativa é que aumente a partir de agora.
“Não estamos a assinar algo vago, para um futuro vago.
Estamos a formalizar uma cooperação existente”, afirma Leonor, que destaca a relevância das instituições envolvidas.
Para o Einstein, a iniciativa integra a estratégia de consolidar sua atuação como referência em ensino, ciência e inovação, para além da assistência hospitalar.
Henrique Neves, diretor-geral da instituição, explica que a assinatura permite dar maior amplitude e perspectiva de longo prazo ao relacionamento.
A parceria ganha uma dimensão que ultrapassa as duas instituições, ao conectar Brasil e Portugal em um momento de transformação das relações econômicas, culturais e científicas entre os dois continentes.
“Acreditamos firmemente que o mundo é de conexões, e essas conexões ajudam as organizações a se desenvolverem, a se exporem a outras ideias e a outras formas de pensar”, afirma Neves, citando também as oportunidades para pesquisadores, alunos e professores.
Um biobanco para ampliar a pesquisa em oncologia A ideia mais ambiciosa saída das reuniões científicas em Lisboa é a criação de um biobanco transnacional, reunindo amostras biológicas e informações clínicas de pacientes do Brasil e de Portugal.
A proposta abriria caminho para pesquisas multicêntricas em oncologia.
Para Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Einstein, o valor científico vai além do número de pacientes, e dá a possibilidade de comparar populações com características genéticas, ambientais e sociais distintas.
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