Por que você não deve cozinhar demais a carne, segundo a ciência
Cozinhar os alimentos trouxe uma série de vantagens para os seres humanos: além de facilitar a digestão, o processo pode eliminar microrganismos prejudiciais e até deixar a comida mais saborosa.
Quando o assunto é proteína, no entanto, exagerar no calor pode provocar mudanças capazes de reduzir seu valor nutricional, segundo um novo estudo da Universidade de Quioto, no Japão.
Publicado na revista npj Science of Food, o trabalho investigou o que acontece quando proteínas submetidas a altas temperaturas são consumidas durante um período prolongado.
Embora cientistas já suspeitassem que esse tipo de processamento pudesse contribuir para deficiências nutricionais, ainda não estava claro como a ingestão contínua dessas proteínas poderia afetar respostas fisiológicas e comportamentais.
“O que acontece com as moléculas derivadas dos alimentos depois que as ingerimos?”, questionou Tomoko T.
Asai, primeira autora do estudo, em comunicado.
Segundo a pesquisadora, a intenção era descobrir se o processamento dos alimentos poderia modificar tanto a absorção das proteínas quanto seus efeitos biológicos.
Proteína isolada de soja dada aos camundongos em pesquisa KyotoU/Tomoko T.
Asai Teste com proteína de soja Para investigar a questão, os pesquisadores prepararam uma solução aquosa com 10% de proteína isolada de soja e a aqueceram a 121°C durante 20 minutos.
Em seguida, realizaram uma digestão in vitro (técnica que simula o processo digestivo humano ou animal) para analisar a composição de aminoácidos e a digestibilidade do material.
Depois de avaliar as mudanças provocadas pelo aquecimento, a equipe forneceu a proteína tratada a camundongos durante seis semanas e acompanhou os efeitos fisiológicos e comportamentais da dieta.
Os resultados mostraram que o tratamento térmico de 20 minutos reduziu os níveis de aminoácidos e aumentou a quantidade de proteínas insolúveis e de peptídeos solúveis maiores presentes no isolado de soja.
Nos animais, isso se refletiu em níveis mais baixos de aminoácidos no sangue, indicando uma redução da biodisponibilidade — ou seja, da quantidade dessas substâncias que pode ser absorvida e usada pelo organismo.
“Claramente, a mesma quantidade de proteína nem sempre significa a mesma disponibilidade nutricional”, afirmou Asai.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistagalileu.globo.com — o conteúdo pertence a Galileu.