O que a ascensão das universidades chinesas tem a nos ensinar
Em sua primeira edição, realizada em 2003, o ARWU (Academic Ranking of World Universities), dedicado a classificar as principais universidades do mundo, destacou a USP entre as 200 melhores instituições do mundo, mas não trouxe nenhuma universidade chinesa no topo.
Pouco mais de duas décadas depois, a posição do Brasil no ranking segue bem parecida.
Já na China, o cenário mudou completamente.
Em 2003, a Universidade Tsinghua estava no grupo das 201-250 melhores universidades do mundo, de acordo com a classificação do ARWU, que também é conhecido como Ranking de Shanghai (a listagem foi feita inicialmente por uma equipe de acadêmicos da Shanghai Jiao Tong).
A Universidade de Pequim figurava na sequência, no grupo das 251-300 melhores universidades globais.
Ambas ficavam “atrás” da USP, que estava no grupo das 152-200 melhores do mundo naquela época.
Na última edição do ranking, publicada em setembro, no entanto, a China contava com três universidades no chamado primeiro quartil da listagem: Tsinghua (18º lugar no mundo), Pequim (23°) e Zhejiang (24°) — uma ascensão sem paralelos.
A USP ainda é a única instituição brasileira entre as 200 melhores universidades do mundo: no último ARWU, figura no grupo das 101-150 melhores universidades globais.
A posição da USP na classificação, vale destacar, impressiona.
Apesar de ser uma das maiores e mais antigas universidades do Brasil, ela está entre as instituições mais jovens no topo da classificação mundial — e compete na produção científica em nível de igualdade.
Para ter uma ideia, Harvard (EUA), a melhor universidade do mundo no ARWU desde a primeira edição da listagem, foi fundada em 1636.
É claro que rankings universitários como esse — e como as muitas listagens globais que surgiram depois dele — trazem um retrato parcial e questionável da educação superior no mundo.
No caso do ARWU, por exemplo, os indicadores principais são prêmios internacionais de alto prestígio, como o Nobel e a Medalha Fields (dedicada à pesquisa em matemática), volume e impacto de publicações científicas.
Então, são bem classificadas as universidades que se destacam nesses quesitos.
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