Pesquisadores redesenham o mapa dos efeitos do El Niño na agricultura
Os efeitos do El Niño vão além dos limites das cidades.
No campo, ele redistribui a chuva e o calor e redesenha o mapa da produção agrícola brasileira.
O setor é responsável por 25% do PIB nacional.
Na safra 2023/2024, a produção de grãos caiu 21,4 milhões de toneladas, período em que o fenômeno climático atingiu em cheio o país.
Os números são, respectivamente, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em levantamento com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Ganhos e perdas no agro, porém, dependem de uma série de variáveis e do nível de adaptação.
Distribuição de chuvas, localização, fase de desenvolvimento da planta, capacidade do solo de armazenar e drenar água, genética e manejo são fatores que entram nessa equação.
Para avaliar essas condições e se antecipar aos efeitos do fenômeno climático, um arsenal científico auxilia os agricultores.
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do oceano Pacífico na região equatorial.
As consequências são as mudanças dos padrões de circulação das correntes marítimas e das massas de ar, o que leva a repercussões distintas ao redor do planeta ( veja infográfico ).
As preocupações com eventos extremos que o fenômeno pode trazer aumentaram no início de setembro, com o anúncio do Centro de Previsão Climática (CPC), dos Estados Unidos, ligado à Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa, na sigla em inglês).
A probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026/2027 supera 90%.
A possibilidade de alcançar intensidade maior que a dos episódios registrados desde 1950 é de 75%.
Este é um cenário que abre dois caminhos para grande parte dos produtores: adaptação ou perdas de produtividade e econômicas.
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