Do controle dos neurônios à Grécia reimaginada
Se você perdeu os anúncios do Prêmio Nobel ao longo desta semana, Pesquisa FAPESP traz a seguir o essencial sobre os laureados nas áreas de Fisiologia ou Medicina, Física, Química e Literatura em 2026.
Medicina: luz para neurônios Niklas Elmehed © Nobel Prize Outreach Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel Niklas Elmehed © Nobel Prize Outreach O Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina (esse é o nome oficial da láurea) destaca neste ano uma complexa combinação de microbiologia, genômica e neurociência que tem ajudado a compreender como o cérebro funciona a partir de suas células individuais.
Trata-se da abordagem conhecida como optogenética, na qual pulsos de luz são capazes de ativar neurônios com precisão.
O processo ainda não deu origem a novas terapias, embora um possível uso no tratamento de problemas como deficiências visuais e auditivas já esteja na mesa.
Entre o trio de ganhadores da área em 2026, o primeiro passo na área foi dado pelo biofísico alemão Peter Hegemann, hoje com 71 anos e professor da Universidade Humboldt de Berlim.
Ele estudava as algas microscópicas do gênero Chlamydomonas , que têm sensibilidade à luz por conta da presença de uma proteína especializada, que fica num pontinho alaranjado na superfície de suas células.
O pesquisador alemão verificou que, em apenas meio milissegundo, o pontinho alaranjado era capaz de produzir um impulso elétrico, o qual estimulava o nado das algas unicelulares rumo à fonte de luz.
A capacidade de reação era muito mais rápida que a das células da retina humana que cumprem função parecida, levando Hegemann a propor que uma única proteína seria responsável pelo processo todo.
Ela atuaria tanto como detectora de luz quanto como um canal de íons.
Ou seja, ela ficaria aberta para a passagem de átomos ou moléculas eletricamente carregados, e a travessia deles produziria um sinal elétrico.
O pesquisador só conseguiu confirmar a ideia com a ajuda do segundo ganhador, o também alemão Georg Nagel, nascido em 1953 e atualmente professor da Universidade de Würzburg.
Ele inseriu dois genes da alga que pareciam estar ligados à detecção de luz em óvulos de rãs.
As células de anfíbios produziram as proteínas correspondentes aos genes, e, de fato, elas eram canais de íons que se abriam quando expostos à luz.
O salto dessa ideia para aplicações laboratoriais no organismo de mamíferos foi dado pelo mais jovem do trio de vencedores, o americano Karl Deisseroth, 54, do Instituto Médico Howard Hughes e da Universidade Stanford.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em revistapesquisa.fapesp.br — o conteúdo pertence a Pesquisa FAPESP.