MPF investiga áudio com ameaça em terras Guarani Kaiowá: “matar essas praga pela água”
O Ministério Público Federal (MPF) deu prazo de 48 horas para que a Prefeitura de Tacuru , em Mato Grosso do Sul , preste esclarecimentos sobre ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani Kaiowá .
A denúncia, que ganhou repercussão após o segundo turno das eleições presidenciais , foi encaminhada a órgãos federais e motivou pedidos de investigação da deputada federal Célia Xakriabá (Psol) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) .
Em publicação nesta terça-feira (27), Célia Xakriabá afirmou que solicitou a apuração do caso após receber relatos de lideranças indígenas sobre uma suposta contaminação da água no território.
Segundo a denúncia, um áudio compartilhado pelo WhatsApp registra a fala de um dos envolvidos, que teria defendido a violência contra a comunidade: “matar essas praga [sic] pela água”.
A parlamentar alertou que os Guarani Kaiowá já enfrentam dificuldades de acesso à água potável e dependem do abastecimento por caminhões-pipa .
Nesse contexto, uma eventual contaminação do recurso representaria uma ameaça direta à saúde e à vida dos moradores.
Após o resultado do segundo turno A denúncia foi encaminhada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e dos Povos Indígenas, ao MPF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O caso chegou à esfera eleitoral porque as ameaças teriam ocorrido em meio às tensões posteriores à divulgação do resultado das eleições presidenciais .
Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) também solicitaram a investigação das ameaças.
As pastas informaram ainda que estão acompanhando denúncias de violência contra comunidades quilombolas e povos de terreiro registradas após o segundo turno.
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