A revolução do software caseiro
É bastante provável que daqui a pouco tempo você programe seus próprios aplicativos, programas ou sites. Isso se já não o fez. Seja para criar um pequeno negócio, divulgar algo de que goste ou desenvolver alguma ferramenta que te ajude a resolver ou simplificar algo na rotina.
O assunto não é novo. "Vibe coding" , termo que define a programação através de comandos de linguagem natural foi eleita a palavra do ano de 2025 pelo dicionário Collins e tema de matéria aqui no UOL na ocasião.
Mas, com as devidas ressalvas para coisas que já nascem com seu próprio nome bacaninha, gosto dessa possibilidade porque democratiza um conhecimento que por muito tempo ficou restrito a um pequeno grupo e demandava anos de estudo para ser assimilado. E sempre que isso acontece e podemos reduzir a altura das cercas que separam o cidadão comum de algo antes exclusivo, o resultado geral é positivo. Tem um efeito de utilidade no curto prazo e tem um efeito de inclusão e acesso logo em seguida.
Em um artigo publicado na The Verge há alguns meses, David Pierce escreveu sobre o que ele chamou de uma revolução do software pessoal . Recomendo a leitura toda, mas a abertura (em tradução minha, sorry) é a seguinte: "A tirania do software está quase no fim. Desde que os primeiros programadores escreveram os primeiros programas de computador, nós, os usuários desse software, fomos forçados a viver nos mundos que esses programas criavam. As funcionalidades são as funcionalidades. O design é o design. Quer outra coisa ou algo melhor? Aprenda a programar, eu acho". Mas, ele completa, a chegada de versões mais avançadas de ferramentas de IA mudaram esse cenário, permitindo que usuários comuns (a gente aqui) possam criar e programar seus softwares pessoais do mesmo jeito que costumamos fazer planilhas ou editar textos.
O seu programinha caseiro pode ser um pequeno sistema de organização de agenda de compromissos somado à logística da casa, juntando a planilha de orçamentos. Quem sabe, uma integração das listas de compras no supermercado nos mesmos dias em que você leva as crianças para a escola. Ou, uma calculadora de calorias e atividades físicas que não esteja enviando seus dados para um serviço de marketing de empresas farmacêuticas. E por aí vai.
Eu sei, já tem algo "tipo assim" no seu celular e disponível na internet, mas não propriamente um "tipo assim" do jeito exato que você precisa. E para uma variedade de pequenas atividades, em vez de buscar um novo app para te ajudar, você vai desenvolver o seu próprio a partir de comandos de voz ou texto, tal como já faz para garantir que seu marido entenda di-rei-ti-nho o que e como ele deve organizar aquelas benditas caixas largadas na garagem.
Não me refiro, evidentemente, às complexas estruturas de desenvolvimento e código que seguirão demandando engenheiros, cientistas, arquitetos e designers para serem criadas e mantidas (além de sistemas de infraestrutura e segurança). Mas, para o desafio rotineiro de lidar com as máquinas, aí sim, podemos afirmar que os obstáculos para domesticar a programação estão cada vez menores.
As versões mais recentes dos modelos de IA já ajudam nisso.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Tilt.