Fim da isenção das LCIs ameaça disparar juros e travar o mercado imobiliário, dizem bancos
A potencial tributação das letras de crédito imobiliário ( LCI ) e do agronegócio ( LCA ), se confirmada, terá como principal consequência a elevação do custo de captação de recursos pelos bancos e o repasse disso para o tomador do financiamento, esfriando as operações no setor, avaliam líderes de crédito imobiliário dos bancos privados.
“A tributação vai fazer, naturalmente, com que os investidores peçam uma remuneração maior para aplicar nas LCIs.
Hoje, por não ser tributada, a LCI tem um custo abaixo da Selic.
Com a tributação, é inevitável que tenhamos um incremento do custo do crédito imobiliário”, projetou o diretor de Crédito Imobiliário do Bradesco, Romero Albuquerque.
A opinião foi compartilhada pelo diretor de Negócios Imobiliários do Santander, Paulo Duailibi, “Esperamos incremento no custo de emissão das letras.
É fundamental manter a isenção.
Este é o meu maior ponto de preocupação”, declarou.
Duailibi ressaltou que as LCIs têm mostrado uma participação crescente como fonte de recursos para abastecer o crédito imobiliário, ao mesmo tempo que há uma diminuição da disponibilidade de recursos das cadernetas de poupança.
O estoque de LCIs ultrapassou a marca de R$ 500 bilhões e responde por cerca de 20% do funding do setor.
O executivo do Santander defendeu ainda a necessidade de reequilíbrio das contas públicas como forma de garantir a redução dos juros e do custo do funding de modo geral.
“A poupança está tendo uma participação cada vez menor no funding .
Acho que é um movimento sem volta.
Vamos depender cada vez mais de funding de mercado.
Daí a importância de ter redução estrutural da Selic para termos condição de crescer”, comentou.
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