Luis Felipe Salomão, presidente do STJ: “Cortamos na própria carne quando necessário”
Luis Felipe Salomão chega à presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no momento em que a segunda Corte mais importante do país atravessa uma tempestade.
Três ministros foram alvos de inquéritos que apuram a suspeita de venda de sentenças, e um quarto, Marco Buzzi, acaba de ser banido do cargo acusado de assédio sexual.
Os dois escândalos, revelados por VEJA, provocaram profundas mudanças no dia a dia do tribunal.
Uma delas foi a criação de uma comissão permanente para analisar denúncias de desvios éticos e disciplinares que possam macular a credibilidade do Judiciário.
Empossado na quarta-feira 19, para um mandato de dois anos, Salomão tem como meta dar racionalidade ao acervo de mais de 320 000 processos em tramitação no tribunal e enfrentar o que considera a principal chaga da Justiça brasileira: a falta de eficiência.
Crítico da Operação Lava-Jato, o presidente do STJ recebeu VEJA para a primeira entrevista desde que assumiu o posto, na qual falou sobre temas sensíveis como salário de juízes, penduricalhos, politização da Justiça e falta de credibilidade.
A seguir os principais trechos.
Pesquisa Datafolha recente mostra que 43% dos brasileiros não confiam no Supremo e 75% acham que os ministros têm poder demais.
Por que a credibilidade do Judiciário é tão baixa? Não é uma posição exclusivamente brasileira.
Quando duas pessoas vão à Justiça, uma ganha e outra perde, e essa que perde normalmente não compreende bem.
Nós estamos acostumados a não sermos compreendidos.
Juiz não pode ser popular.
Mas o que detecto também é que, em vários países, extremistas usam ataques ao Poder Judiciário como plataforma política para obter benefícios eleitorais.
Em toda a ditadura, as primeiras providências são calar a imprensa e subjugar o Poder Judiciário.
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