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Infância e violência nas redes sociais

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Infância e violência nas redes sociais

Nos últimos tempos, despontam notícias de crimes brutais cometidos por jovens, especialmente adolescentes, transmitidos ao vivo em plataformas digitais. Crimes que se dirigem a vítimas extremamente vulneráveis: animais, crianças mais novas, por vezes até mesmo bebês. Mais do que a transmissão, as condições objetivas e subjetivas para a realização de tais atos são cultivadas nos ambientes digitais, plataformas que possibilitam uma espécie de suspensão dos imperativos sociais que organizam certa manutenção de leis simbólicas, no sentido constitutivo do termo: leis que formam o aparelho psíquico, que organizam a relação com os limites sobre si mesmo e sobre os outros, necessários à própria vida em sociedade.

O Discord tem sido a principal plataforma de tais episódios nos últimos tempos, mas vale lembrar que essa espécie de crime derivado de “subculturas digitais” sádicas e suicidárias não é exatamente recente. Poderíamos relembrar diversos casos estrangeiros anteriores mas, no Brasil, foi o Massacre de Realengo que demarcou um episódio fundamental onde ambientes digitais possibilitaram o “recrutamento”, “cultivo” e “fomento” do que se tornaria talvez o primeiro caso de violência extrema promovida por grupos masculinistas, incels , explicitando o que poderíamos conceber como um agenciamento entre perversidade e melancolia, viabilizado pela própria estrutura das plataformas digitais. Ao menos desde então, sabemos que fatores como o anonimato e o cultivo das chamadas “câmaras de eco” são elementos importantes. Mas há algo além.

Esses casos também implicam crimes onde perpetradores não são simplesmente “sádicos psicopatas”, mas jovens em profunda fragilidade psíquica, levados inclusive a episódios de auto-mutilação pública, ou a cometerem homicídios, incentivados pelos seus “pares” em meios digitais por argumentações que se atrelam ao próprio ímpeto de suicídio – algo como “se você pretende se matar, leve outros junto.” Não raramente, esses outros são outros específicos: outros racializados ou, muito frequentemente, são outras , i.e., mulheres, meninas, alvos da violência misógina que é constantemente fomentada em meios digitais.

Entretanto, uma questão ainda segue em aberto: por que esses episódios ocorrem dentro de tal configuração? É a mediação digital que torna a juventude não só violenta, mas insensível a tamanhas brutalidades? O que há de específico nas formas de mediação do digital que fomenta tais crimes? Para começarmos a lidar com essas perguntas, é fundamental recorrermos a teorias críticas que não moralizem nem reifiquem tais fenômenos.

Primeiro, devemos desambiguar as noções de perversão e perversidade, especialmente no que diz respeito à infância: é Freud quem apresenta a noção polêmica e, todavia, fundamental, de sexualidade infantil enquanto perverso-polimórfica [1]. Dois termos moralmente implosivos. A sexualidade, desde Freud, precisa ser compreendida como algo além do que associamos imediatamente com “o sexual” enquanto genital ou reprodutivo. É, antes, uma desambiguação, um desvio de rota que caracteriza inclusive aquilo para além do “sexo” imediatamente imaginado.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.

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