EUA querem redirecionar US$ 52 milhões de verba militar de Europa e Oriente Médio para América Latina
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Na última terça-feira (15), o Departamento de Estado americano notificou o Congresso dos Estados Unidos sobre planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 52 milhões (quase R$ 268 milhões) em verbas militares a países da América Latina .
Caso a iniciativa se concretize, os recursos sairão de Tunísia , Eslováquia , Macedônia do Norte e Iraque e serão realocados em Panamá , Peru , Equador e Colômbia . De acordo com um funcionário do Departamento de Estado que confirmou a notificação, o investimento se dará por meio de equipamentos, treinamento e assistência técnica para combater, em suas palavras, o narcoterrorismo e a influência militar de adversários na região.
O montante não chega a ser significativo se comparado ao orçamento anual do programa do qual o dinheiro sairia —em 2026, o Financiamento Militar Estrangeiro recebeu US$ 6,16 bilhões (cerca de R$ 31,7 bilhões). A medida, no entanto, é uma síntese das prioridades internacionais dos EUA sob Trump.
A verba não só iria para nações presididas por aliados do republicano na América Latina como seria retirada de países de Oriente Médio e Europa . Trata-se justamente da política de "América para os americanos" descrita na última Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada no ano passado.
"Após anos de negligência, os EUA reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental", afirmou a Casa Branca no documento, citando a política do século 19 que guiou a agenda internacional de Washington pela maior parte do tempo desde então.
Desde que voltou à Casa Branca, no ano passado, Trump pressiona aliados europeus a aumentar o investimento em defesa , afirmando reiteradamente que os gastos de Washington na Otan são desproporcionalmente superiores em relação aos dos outros membros da aliança militar ocidental.
Nesse novo xadrez, o que a gestão americana tem chamado de narcoterrorismo (termo que especialistas consideram inadequado para definir os grupos criminosos latino-americanos) ganhou destaque.
Nesta quarta (16), por exemplo, os EUA removeram a Venezuela da lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas pela primeira vez em mais de 20 anos —e oito meses depois da intervenção americana para capturar o ditador Nicolás Maduro e transformar a nação em uma espécie de protetorado.
"Na Venezuela, graças à prisão e destituição, pela minha administração, do ex-ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro, já estamos vendo os resultados da crescente cooperação com o governo interino do país contra os cartéis", afirmou Trump, de acordo com uma nota do Departamento de Estado.
Da América Latina, continuam na lista Colômbia, Bolívia , El Salvador , Equador, México e Guatemala , Costa Rica , República Dominicana , Honduras , Haiti , Nicarágua , Panamá e Peru.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.folha.uol.com.br — o conteúdo pertence a Folha de S.Paulo.