Segundo um novo estudo, as Cataratas de Sangue da Antártida abrigam descendentes de antigas criaturas marinhas
O ambiente extremo guarda uma história muito mais antiga do que parece
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR As Cataratas de Sangue , na Antártida , ganharam uma nova explicação biológica em 3 de agosto de 2026 . Um estudo publicado na Nature Geoscience encontrou microrganismos ativos com forte ligação marinha perto do Glaciar Taylor . A equipe analisou 167 amostras e identificou sinais de comunidades derivadas de um antigo ambiente oceânico que ficou isolado com o avanço do gelo.
Os pesquisadores identificaram uma comunidade de microeucariotos, organismos microscópicos com células que possuem núcleo, concentrada nas áreas influenciadas pela salmoura vermelha. O estudo publicado na Nature Geoscience encontrou grupos ligados a ambientes marinhos, incluindo diatomáceas, dinoflagelados, haptófitas e ciliados.
Esses organismos não apareceram com a mesma força em lagos, riachos e amostras levadas pelo vento em outras partes dos Vales Secos de McMurdo.
O sinal marinho aparece tanto na composição dos organismos quanto em suas diferenças genéticas em relação a comunidades atuais do oceano. A Scripps Institution of Oceanography informa que diatomáceas associadas ao mar chegaram a representar mais de 60% e, em algumas análises, cerca de 80% da comunidade de diatomáceas nas amostras próximas às Cataratas de Sangue.
A principal explicação é que água marinha tenha alcançado o Vale Taylor em períodos mais quentes do passado. Depois, mudanças no nível do mar e o avanço do glaciar teriam isolado parte dessa água salgada sob o gelo.
Com o passar do tempo, o ambiente ficou frio, salgado e separado do oceano moderno. A comunidade atual carrega sinais dessa origem antiga, mas também passou por seleção e adaptação às condições extremas.
A cor vem principalmente do ferro presente na salmoura, e não dos microrganismos. Quando o líquido rico em ferro alcança a superfície e entra em contato com o ambiente, ocorrem reações que formam materiais avermelhados sobre o gelo.
O J. Craig Venter Institute , que participou da pesquisa, explica que a salmoura também contém sais, sílica e outros materiais capazes de criar um ambiente muito diferente do restante da paisagem antártica.
A comunidade encontrada funciona como uma pista biológica sobre mudanças antigas entre oceano, gelo e continente. Os organismos preservam sinais de uma época em que a região tinha uma relação diferente com o mar.
Ao estudar essas linhagens, os cientistas conseguem investigar não apenas como a vida suporta frio e sal extremos, mas também como mudanças climáticas antigas remodelaram a paisagem antártica e deixaram marcas que continuam vivas hoje.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.