Além do Bolsa Família: esquerda precisa de projeto que altere distribuição não só de renda e sim de poder
Com a proximidade das eleições, os candidatos começam a divulgar seus programas, as cartas aos setores produtivos, as listas de prioridades e seus compromissos com a estabilidade econômica e, em especial, a estabilidade fiscal.
Mas como construir um programa econômico de esquerda que responda às urgências do presente e, ao mesmo tempo, avance em transformações estruturais e radicais? A disputa eleitoral ocorre sob a pressão da extrema direita, o que costuma limitar o debate.
Por isso, é preciso dosar o radicalismo das propostas com as condições concretas e a consciência média da sociedade.
Ainda assim, as eleições também nos abrem espaços para pautas que seriam ignoradas em outros momentos.
O processo eleitoral deve ser uma arena de debate.
Precisamos pautar hoje o que parece “impossível” para que essa pauta se torne uma questão social no futuro.
Não é só sobre Bolsa Família Um programa econômico não se torna de esquerda apenas porque promete ampliar o Bolsa Família, construir universidades ou aumentar o salário mínimo.
Embora fundamentais, essas medidas não alteram as estruturas do país.
Um programa de esquerda precisa responder às perguntas centrais da economia brasileira: – Quem decide o que produzir? – Quem controla a terra, os recursos naturais e a tecnologia? – Quem realmente paga impostos no Brasil? – Quem decide onde o estado deve investir e quem fica com os lucros da produtividade? A desigualdade social não é um acidente produzido pela falta de boas políticas públicas, ela é o resultado de uma estrutura em que poucos detêm a propriedade e o poder político.
E na qual o poder econômico tem um peso descomunal nas principais decisões políticas e econômicas.
Por isso, uma esquerda que fale apenas em combater a pobreza, mas não esteja disposta a enfrentar a concentração da riqueza e do poder, pode até administrar o capitalismo brasileiro de maneira mais civilizada, mas muito pouco irá realmente transformá-lo.
Capacidade do estado de planejar e investir O primeiro ponto de um programa econômico de esquerda deveria ser a recuperação da capacidade do estado de planejar e investir.
Ou seja, o estado não pode ser proibido de desenvolver o país.
Hoje, o debate fiscal brasileiro parte de lógica invertida: antes de mapear quantas escolas, hospitais, ferrovias, moradias ou universidades o país precisa, pergunta-se quanto o governo está autorizado a gastar.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.intercept.com.br — o conteúdo pertence a Intercept Brasil.