Câncer de mama: reconstrução após cirurgia vive nova era
Ao longo de mais de três décadas atuando em cirurgia plástica estética e reconstrutiva, acompanhei uma transformação profunda na maneira como a medicina cuida da mulher com câncer de mama .
Se antes a prioridade estava concentrada em combater a doença , hoje sabemos que o tratamento não deve necessariamente terminar quando o tumor é retirado .
Há uma mulher depois do câncer — e ajudá-la a recuperar sua integridade física, sua relação com o corpo e sua qualidade de vida também faz parte desse cuidado —.
O tema ganha dimensão diante dos números.
Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026-2028.
Mas, apesar da evolução da cirurgia, o acesso à reconstrução ainda é um desafio .
Um estudo publicado em 2026 na revista científica Epidemiologia e Serviços de Saúde, do Ministério da Saúde , que analisou microdados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS entre 2010 e 2024 ilustra bem o cenário.
Foram identificados 565.234 procedimentos: 404.944 mastectomias e 160.290 reconstruções mamárias.
O trabalho revelou ainda importantes desigualdades raciais e regionais no acesso à reconstrução .
Esses números reforçam uma questão fundamental: não basta desenvolvermos técnicas cirúrgicas cada vez mais sofisticadas se elas não chegarem às mulheres que delas necessitam.
Continua após a publicidade A reconstrução contemporânea deixou de significar simplesmente repor o volume retirado durante uma mastectomia.
Hoje avaliamos qualidade e espessura da pele, quantidade de tecido preservado, anatomia, tratamentos anteriores, efeitos da radioterapia e capacidade dos tecidos de sustentar a mama reconstruída ao longo dos anos.
É uma mudança de paradigma.
Passamos de uma cirurgia predominantemente baseada na reposição de volume para uma reconstrução individualizada, que considera anatomia, biomecânica, qualidade dos tecidos e estabilidade do resultado.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em veja.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja.